Dezesseis internos custodiados
pela Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) estão trabalhando na
manutenção do Bosque Rodrigues Alves. Natural de Salinópolis, nordeste do
Estado, o interno Bruno Ferreira, 29 anos, entrou pela primeira vez no bosque.
A oportunidade surgiu por meio da parceria firmada, em 2014, entre a Susipe e a
Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), para empregar mão-de-obra
carcerária na limpeza e manutenção do espaço. Trata-se do projeto “Replanta
Ação”, que abrange também a produção de mudas na Granja Modelo.
“Esse já é o quarto projeto para
trabalho, desenvolvido pela Susipe, de que eu participo, sempre em busca de
melhorar como pessoa. Sem dúvida esse é o melhor em que já estive. É como se
tivesse sido promovido. É muito gratificante trabalhar aqui, porque além de
estar próximo da natureza, sinto que o que faço preserva o meio ambiente e me
ajuda a voltar para a sociedade com novas possibilidades de emprego“, afirma
Bruno.
Os internos aprendem a fazer a
semeadura e o plantio de plantas, o preparo e a adubação da terra, a poda, a
manutenção de lagos e rastelagem das trilhas (limpeza com o rastelo, ferramenta
agrícola). “Eles são nossos grandes auxiliadores na tarefa diária de manter a
parte verde viva do bosque. O objetivo, além de cuidar desse espaço, é fazer
com que eles saiam daqui capacitados, agregando a nossa técnica ao conhecimento
que eles já têm. Por isso também fazemos rodízio nos setores de trabalho, para
que todos tenham as mesmas oportunidades”, diz o técnico agrícola do bosque,
Francisco Junior.
Para desenvolver as atividades no
Bosque Rodrigues Alves, os internos recebem a remuneração de ¾ do salário
mínimo, contribuição previdenciária de 11%, mais auxílio-alimentação e
vale-transporte, direitos estabelecidos pela Lei de Execução Penal (LEP). Eles
ainda contam com remissão de pena pelo trabalho: é um dia a menos no cárcere a
cada três dias trabalhados.
Segundo a coordenadora de
Trabalho e Produção da Susipe, Izabel Ponçadilha, a parceria com o bosque é
especial, principalmente para os custodiados. "Olhamos esse projeto com um
diferencial de importância muito interessante não só pela perspectiva de ver
esses homens buscando a reinserção social, mas pelo próprio ambiente de
trabalho que lhes propicia a tranquilidade para refletir sobre os valores
familiares, sociais e resignificação pessoal", conclui.
