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Escola Albanizia de Oliveira Lima promove Dia D contra a cultura do estupro

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisou os registros contidos no Mapa da Violência Sexual no Brasil, publicado pelo Ministério da Saúde, e concluiu que 89% das vítimas são do sexo feminino e em geral têm baixa escolaridade. Para fazer um alerta sobre a questão, os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Albanízia de Oliveira Lima, no bairro do Marco, em Belém, promoveram nesta segunda-feira (26) uma programação especial intitulada “Dia D contra a cultura do estupro.

A programação  envolveu os cerca de 450 estudantes em apresentações de teatro, dança, música e exposições. A professora de Filosofia, Amélia Melém, que coordenou o evento, detalhou que a programação é realizada anualmente, sempre ao final do ano, envolvendo temas relacionados à violência. “Ano passado trabalhamos a violência relacionada a diversidade de gênero, mas este ano, em virtude das estatísticas que mostram que 70% dos casos de violência sexual envolvem crianças e adolescentes, avaliamos como relevante trabalhar esse tema com nossos alunos, pois ainda existe uma cultura muito forte de que para ser macho o homem tem de oprimir o outro. O machismo ainda é muito presente em todas as relações da nossa sociedade, não somente entre os homens, mas também entre as mulheres, o que é mais triste ainda, por isso o envolvimento de todos os nossos alunos na programação”, pontuou a professora.

A estudante Luane Aragão, 16 anos, do 2º ano do Ensino Médio, avaliou como positiva a iniciativa da escola em trabalhar junto aos alunos temas relacionados aos mais diversos tipos de violência. “É um problema de toda a sociedade, mas nós, jovens, precisamos ser preparados para combater esse tipo de atitude, pois somos a geração do amanhã, seremos pais de família e precisamos conscientizar as futuras gerações sobre a importância da cultura de paz entre os sexos”, defendeu.

O estudante Raymer Silva, 17, fez questão de destacar que eventos promovidos dentro do ambiente escolar levam os jovens a refletirem sobre determinados preconceitos. “O homem precisa entender que a mulher é soberana do corpo dela, não é porque ela gosta de usar determinado tipo de roupa, como shorts curtos, por exemplo, que está provocando o homem. Temos de tratá-las com respeito e igualdade, e quebrar essa mentalidade machista da cultura do estupro”, disse.


Além de música e teatro, a programação teve exposições de fotonovelas com os alunos retratando situações reais das quais as mulheres são vítimas.