“Estamos aqui imbuídos pelas
necessidades e ansiedades e do direito de sermos ouvidos pelo menos uma vez,
coisa que até o momento não nos foi permitido”. Essas são as palavras do
diretor da Associação Empresarial de Barcarena, Otávio Ferreira, durante
audiência com os deputados membros da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente,
Geologia, Mineração e Energia, da Assembleia Legislativa do Estado do Pará.
Otávio Ferreira participou do
encontro no Poder Legislativo, nesta quarta – feira (25.04), juntamente
com empresários e representantes de
sindicatos e associações ligadas ao setor industrial e comercial do município.
Ele e a comitiva foram recebidos pelos deputados João Chamon (presidente da
comissão), Sidney Rosa e Raimundo Santos (membros). Os parlamentares da região
de Barcarena, Renato Ogawa e Ana Cunha, também participaram da reunião.
Para o presidente da comissão,
João Chamon, a Alepa está cumprindo o seu papel, ouvindo e fiscalizando.
“A Hydro tem que se ajustar e se
adequar. Mas temos que ouvir o sentimento e as dificuldades do setor afetado,
sem deixar de olhar para o prejuízo ambiental”, argumentou.
Além de expressar suas
dificuldades, os integrantes da comitiva entregaram um documento aos deputados
com informações sobre a realidade econômica e também pediram apoio aos
parlamentares para intermediarem junto ao judiciário, a fim de reverter a
decisão do embargo, determinado pelo Tribunal de Justiça do Pará, no dia 28 de
fevereiro, obrigando a empresa a reduzir em 50% a sua produção.
Na ocasião, Otávio relatou a
insatisfação do setor por não ter sido ouvido pela imprensa e órgãos
competentes que investigam os danos ambientais, provocados pelo vazamento de
rejeitos da empresa norueguesa Hydro Alunorte, ocorrido no dia 17 de fevereiro
deste ano.
“Os juízos ao longo desse período
se formaram e se solidificaram radicalmente com o foco apenas numa parte”,
criticou.
Segundo ele, a redução das
atividades já tem reflexo no comércio local e nos municípios vizinhos com queda
de 30% nas vendas. Realidade que preocupa os comerciantes, colocando o cenário
em sinal de alerta para pensar em planos de contingência.
A reunião no Poder Legislativo é
resultado da reivindicação de empresários e lideranças políticas de Barcarena.
Na última semana, os deputados Sidney Rosa, Renato Ogawa e Ana Cunha
participaram de uma reunião no município afetado pela tragédia, onde discutiram
sobre o problema. Portanto, após esse diálogo, ficou definido que uma audiência
seria realizada na Alepa com os parlamentares da comissão.
“Estamos aqui para ajudar esse
movimento e ouvir a representação da sociedade civil organizada junto com as
lideranças políticas e ver de que forma esse movimento toma força para
imediatamente buscarmos a suspenção do embargo, sem causar prejuízos na
apuração das responsabilidades e consequências. O embargo já dura dois meses e
tem consequências irreparáveis. O nosso receio é que depois das férias
coletivas, pode provocar demissões em massa”, explicou Sidney Rosa.
Dados - No documento entregue aos
deputados, os empresários destacam que 480 fornos da Albras foram desligados e
podem provocar demissão em massa. Do total de mais de 100 empresas prestadoras
de serviços para a multinacional norueguesa, apenas 80 delas ainda continuam
prestando serviços, com cerca de 4.015 empregados. Contudo, considerando os
funcionários diretos e indiretos, esses números podem alcançar um total de 60
mil pessoas.
CPI - Após o surgimento de
denúncias de contaminação na bacia hidrográfica do rio Pará, provocada pelo
vazamento de rejeitos químicos da empresa Hydro Alunorte, os deputados
instalaram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os danos
ambientais em Barcarena. Instalada no dia 20 de março, várias diligências foram
realizadas no local atingido. Entre outras ações, estão as oitivas públicas,
que têm o objetivo de ouvir moradores de comunidades e povos tradicionais que
vivem em torno dos grandes projetos instalados no município e órgãos
competentes.