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Proximidade de centros urbanos afeta comunidades de peixes de rios amazônicos



Recente pesquisa comprovou que características ecológicas das comunidades de peixes são afetadas pela proximidade e pelo tamanho populacional de cidades amazônicas. O estudo teve amostras de 48 lagos de cinco trechos de grandes rios da Amazônia brasileira: rio Tocantins, rio Tapajós, rio Amazonas, rio Negro e rio Solimões. O resultado da pesquisa foi divulgado em artigo científico publicado em revista internacional.

O estudo foi conduzido por pesquisadores de cinco universidades brasileiras e uma norte-americana. As universidades brasileiras que participaram do estudo são, em sua grande maioria, públicas, sendo duas do estado do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Pará (UFPA); duas do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); e uma de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A universidade estrangeira participante foi a Texas A&M University, instituição pública sediada na cidade de College Station, no estado do Texas, nos Estados Unidos.

Pela Ufopa, participou da pesquisa o professor Gustavo Hallwass, do Campus de Oriximiná, que coordena o Laboratório de Ecologia Humana, Peixes, Pesca e Conservação (LEHPPEC). Ele foi um dos idealizadores do trabalho, junto com Friedrich W. Keppeler, professor da universidade norte-americana, e com o coordenador da pesquisa, o professor Renato A. M. Silvano, da UFRGS. A pesquisa compilou dados de projetos de pesquisa realizados entre os anos 2000 e 2013 e teve o objetivo de verificar os efeitos da pressão pesqueira, oriunda da demanda de peixes dos grandes centros populacionais da região amazônica, em diversas variáveis ecológicas das comunidades de peixes da região.

Gustavo Hallwass, que trabalha há mais de 10 anos com a pesca na região amazônica, afirmou que “para quem conhece a região amazônica e trabalha com peixes e pesca, é clara a pressão sobre estoques pesqueiros, principalmente próximo a grandes centros urbanos”. Assim, a pesquisa investigou e descobriu a influência da proximidade e do tamanho populacional das cidades amazônicas sobre diversas características ecológicas analisadas nas comunidades de peixes.

Principais resultados da pesquisa

Os autores da pesquisa demonstraram que, quanto mais distante das cidades, maiores e mais pesados são os peixes, indicando forte pressão pesqueira e diminuição dos estoques próximos aos centros urbanos. Outro resultado importante relacionou a distância entre o lago e o canal principal do rio à captura por unidade de esforço (CPUE), isto é, quanto mais longe do canal do rio, maior é a CPUE das capturas, indicando a acessibilidade como um fator que influencia na pressão pesqueira e na redução dos estoques.

No rio Tapajós foram pesquisados 11 lagos, localizados em comunidades da Floresta Nacional do Tapajós, Reserva Extrativista, Alter do Chão e Ponta de Pedras, além do lago do Juá, próximo ao aeroporto de Santarém. No rio Amazonas, foram quatro lagos: Água Preta, Costa do Aritapera, Ilha Grande e Mamauru. Na região do Baixo Amazonas paraense, a pesquisa envolveu os municípios de Santarém, Belterra, Óbidos e Monte Alegre.

Outros municípios envolvidos foram Baião, no rio Tocantins, com pesquisa em 12 lagos, Barcelos e Uarini, no estado do Amazonas, com 7 e 14 lagos, respectivamente.