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Casos de covid-19 seguem em queda em Belém



  
Há cinco meses Belém registrava o primeiro caso confirmado de covid-19 em seu território. As ações da gestão pública foram imediatas para esclarecimento da sociedade sobre o potencial do vírus e a importância do isolamento social. Do dia 18 de março até hoje, o município soma 29.262 casos positivos para o novo coronavírus, sendo que 2.061 pessoas evoluíram a óbito e 25.337 são consideradas recuperadas da doença. Esses casos foram identificados por testes rápidos, testes de laboratório e vínculo epidemiológico – quando já há casos confirmados próximo a um caso suspeito.

O pico de casos confirmados na capital ocorreu no mês de abril, quando 14.196 exames deram positivos para a covid-19. Depois deste período, o município tem registrado queda nos índices. Em maio foram 7.893 casos confirmados, junho fechou em 3.334, julho em 2.423 e agosto, até o dia 17, está com 349. Mulheres são as mais infectadas, correspondendo a 54,1% dos casos, sobretudo na faixa etária de 40 a 49 anos (3.578 confirmadas).

Em relação aos óbitos, o mês de maio registrou o maior número de perdas: foram 1.097. Em abril foram 661; junho, 185; julho, 96; e agosto, até o dia 17, 22 óbitos. Os homens correspondem a 61,8% das mortes, principalmente a partir dos 60 anos.

Os principais sintomas identificados nas ocorrências de Belém foram febre, tosse, falta de ar, dores na garganta e na cabeça. Já as comorbidades foram diabetes, pneumopatias, asma, imunodeficiências e doença renal.

“Como a covid-19 é uma doença de notificação obrigatória, conseguimos coletar estes dados a partir das fichas de notificação. Desta forma, podemos traçar as estratégias para a retomada das atividades econômicas e sociais. As infecções reduziram, mas ainda temos que manter as medidas recomendadas. A pandemia não acabou, mas com o menor número de casos, a principais medidas de controle continuam sendo recomendadas e necessárias como uso de máscaras, evitar locais com aglomeração, lavagem frequente das mãos e isolamento social dos casos sintomáticos”, destaca Veronilce Borges, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Belém, que enfatiza ainda que a população pode ter o acesso aos dados no Painel da Covid-19, ferramenta virtual criada para dar transparência à evolução do vírus na capital que pode ser acessada no link http://contratoemergencial.belem.pa.gov.br/painel-covid-19/.

Atendimento - Ao longo desses cinco meses, principalmente no pico da covid-19, Belém precisou readequar seus serviços para atendimento das pessoas com a doença com a abertura de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro do Jurunas, destinação dos leitos do Hospital de Retaguarda Dom Vicente Zico para atendimento exclusivo de casos de covid-19, tendas de triagem em três UPAs (Marambaia, Icoaraci e Sacramenta), atendimento de casos de baixa complexidade nas Unidades Básicas de Saúde, ampliação do número de leitos com respiradores nas urgências e emergências municipais e serviço de atendimento por telemedicina. Além da aquisição de equipamentos de proteção individual, criação de uma central telefônica para esclarecimentos e notificações, capacitações e outros serviços.

Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) continuou os serviços da atenção primária, restrição de agendamentos para evitar aglomeração e incentivar o isolamento social. Esse trabalho foi reconhecido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em relatório sobre os “Impactos primários e secundários da covid-19 na atenção à saúde”, de julho deste ano, que avaliou dez municípios, sendo nove capitais. Belém se destacou por ter mantido o programa de imunização, ter mantido os cuidados clínicos para vítimas de violência de gênero, dado continuidade ao pré-natal e consultas pós-natal e, mesmo que reduzido, ter dado continuidade aos tratamentos de tuberculose e hanseníase, saúde mental e apoio psicossocial, prevenção, testagem e tratamento de HIV, nutrição infantil e outra atividades.

Para Waldilene Santos, coordenadora da Atenção Básica de Belém, a redução em alguns serviços foi em decorrência da redução da demanda por medo de infecção, diminuição do número de profissionais de saúde por adoecimento, serem de grupo de risco ou por restrição de mobilidade, além da estratégia de lockdown, que limitou a circulação de pessoas.

“Mesmo com a pandemia, Belém não deixou dar atendimento aos seus cidadãos, mesmo que de forma diferente do que já é padrão. Para isso acontecer, os profissionais de saúde se engajaram e montaram estratégias diferenciadas para dar continuidade ao atendimento, como grupos de Whatsapp, consultas virtuais, atendimento individualizado, emissão de receitas, entre outros. O horário de atendimento padrão das unidades também foi mantido”, destaca Waldilene.

Com a liberação gradual de serviços, a Sesma tem avaliado diariamente a evolução da doença, e hoje, em média, atende 58 casos suspeitos por dia em toda a rede de urgência e emergência (três hospitais e cinco UPAs). Atualmente, para saber o quantitativo de pessoas infectadas, a Secretaria está em andamento com uma pesquisa epidemiológica, em parceira com o Centro Universitário do Pará (Cesupa), com testagem de trabalhadores do Ver-o-Peso, crianças, jovens e adultos. Os dados estão sendo consolidados e em breve serão divulgados à população, como parte da estratégia contínua de monitoramento da doença na capital.