No momento em que o mundo debate a importância de priorizar atividades econômicas que sejam ambiental e socialmente responsáveis na Amazônia, o açaí aponta para o futuro. Protagonista da cultura alimentar do Pará, e um dos carros-chefes de exportação do estado, o fruto vai ainda além: dele deriva a matéria-prima que dá forma a produtos sustentáveis para a construção civil e ainda para a produção de energia, por meio da biomassa. Essa versátil atividade é mantida, sobretudo, pelas mãos da agricultura familiar, organizada por meio de cooperativas. Todos esses aspectos culturais, ambientais e econômicos são tema da I Feira da Cadeia Produtiva do Açaí de Igarapé -Miri, que será realizada neste domingo (28), em Belém.
A programação começa às 9h e segue até 13h, no Teatro da Estação Gasômetro, com entrada franca. O público poderá conferir as palestras “Biomassa e Energia”,com Romeu Furlan da RM Biomassa LTDA; “Açaí na construção civil”, com Francielly Barbosa, do Clube de Ciências do Moju; e “Produção de Biopainéis”, com Washington Nascimento, da startup Unaí. Um dos maiores nomes da gastronomia amazônica, o chef Ophir Oliveira, à frente do projeto Sabor Selvagem, conduz o bate-papo "Açaí de várzea, açaí do futuro". Voltada para crianças, será realizada a oficina “Brincar com açaí”. Haverá também a exibição do documentário “Lendas e causos do Rio Meruú”, e bate-papo com o cineasta Eduardo Souza, da Mekaron Filmes. A programação também traz música, com shows do Carimbó de Igarapé-Miri e Grupo Manipará. A Feira é um evento contemplado no Edital Multilinguagens - Cultura Alimentar da Lei Aldir Blanc, promovido pela Secretaria de Cultura do Pará (Secult-PA) e Governo Federal.
Açaí: cultura e negócio
A imersão no universo do açaí será conduzida pela comunidade da floresta, da região do Meruú, de Igarapé-Miri, que sozinha é responsável por uma safra que movimenta cerca de R$ 100 milhões ao ano. O município é o maior produtor do fruto no Pará, estado que é líder da atividade no país, responsável por 94% do que é produzido em território brasileiro. Organizadora do evento, a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais de Meruú (COOAPRIME) cobre uma área onde estão situadas mais de 6 mil famílias. A entidade atua para chamar atenção da sociedade para a produção e beneficiamento do seu ativo florestal, o açaí, além de melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região do Meruú, através da geração de renda e valorização da cultura local.
“O objetivo da Feira é mostrar a trajetória do açaí, desde a cultura alimentar até o fruto como um grande negócio, além da questão folclórica, cultural das lendas amazônicas. Esse aspecto é fundamental porque, quando você evidencia esses costumes que estão sendo esquecidos, você reforça a identidade da comunidade florestal. A feira faz todo esse diálogo”, conta o presidente da Federação das Cooperativas da Agricultura Familiar do Estado do Pará (Fecaf), César Marinho.
Sob a lógica da economia verde, que
busca reduzir os impactos ambientais, o açaí fornece material para a produção
de modulados usados na construção civil, e também é fonte de energia renovável,
evidenciando sua potência industrial. “A feira traz toda uma leitura do
universo do açaí e a comunidade do Meruú pode ir buscar parceiros, se
capitalizar e fortalecer sua produção, para que seja possível de competir de
igual para igual com as grandes indústrias do setor, de forma que esses
recursos econômicos venham beneficiar e melhorar a vida das pessoas da região,
”, destaca Marinho.
PROGRAMAÇÃO
9:00
Abertura
09:50
Oficina: brincar com açaí
12:30 Show: Carimbó de Igarapé-Miri
Serviço
I Feira da Cadeia Produtiva do Açaí de
Igarapé-Miri, que será realizada neste domingo (28), em Belém. A programação
começa às 9h e segue até 13h, no Teatro da Estação Gasômetro. Entrada franca.