O piloto da websérie “Pretas”,
grande vencedor da 13ª edição do Festival Osga de Vídeos Universitários da
UNAMA, foi selecionado para o 39º Festival du court métrage de
Clermont-Ferrand, na França, um dos maiores festivais de cinema do mundo. O
filme, dirigido por Lucas Moraga, estará no estande brasileiro, destinado a
curtas-metragens produzidos em universidades e escolas de cinema e audiovisual
brasileiras. A exposição dos trabalhos é fruto de uma parceria entre Forcine e
Kinoforum, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores. O festival vai
até o dia 11 de fevereiro.
Em “Pretas”, conhecemos a
história de Abigail, uma pugilista que luta para criar a filha Maria Felipa em
meio ao caos de uma sociedade que não perdoa a cor e os sonhos de uma criança.
Racismo, quebra de estereótipos, representatividade e emponderamento estão na
base dessa trama. Quando questionado sobre os lugares que o piloto da websérie
vem alcançando, Lucas explicou que desde a concepção do projeto, a proposta era
alçar altos voos. “Sempre tivemos a certeza de que estávamos fazendo um
trabalho que não ficaria apenas na nossa cidade, mas não imaginava que dentro
de tão pouco tempo pudéssemos ter oportunidades tão incríveis e isso nos motiva
a querer prosseguir em busca de voos ainda mais altos. Estamos muito
contentes”, explicou.
A reação ante a noticia da
seleção no festival francês foi um misto de sensações. “O Festival de Clermont
Ferrand é o maior da França e a partir disso teremos uma visibilidade ainda
maior. E estar no estande brasileiro do festival nos deixou imensamente
realizados”, comentou.
O preconceito contra os negros no
Brasil é um tema atual. “Pretas” é a denuncia e o grito das pessoas que são
diariamente silenciadas e tidas como invisíveis. “Sempre me incomodou o fato de
nunca me ver representado nas telas do cinema e isso se ramifica em diversos
setores no que tange o audiovisual. O grito pela representatividade é a própria
denúncia contra toda uma ideologia de estética padrão que necessita
urgentemente ser quebrada. As mulheres negras no cinema não chegam a somar 3% e
isso é muito preocupante. Então fazer uma websérie com a temática inteira
voltada para elas é um desafio gigante, mas que encaramos com muito respeito e
força para que elas sejam devidamente representada e tenham seus locais de fala
respeitados”, refletiu.
No Osga 2016, o piloto foi o
grande vencedor da noite, levando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção
(Lucas Moraga), Melhor Atriz (Rosilene Alves), Melhor Edição (André Negreiros e
Lucas Moraga), Melhor Produção (Izabella Reis) e Melhor Figurino (Lanna Celli e
Lucas Moraga). Em janeiro de 2017 também conquistou o prêmio de “Melhor
Episódio Piloto”, no 1° Festival da Freguesia do Ó, em São Paulo.
Quando questionado sobre os
projetos futuros, Lucas pretende não parar. “Vamos dar continuidade ao projeto,
afinal este foi apenas o piloto de uma websérie. Então mais episódios estão por
vir com mais pretas com suas histórias mostrando que ainda tem muito para ser
contado. E logicamente continuar inscrevendo o episódio piloto em festivais e
editais que tragam o reconhecimento e a visibilidade que necessitamos para
alavancar ainda mais o projeto”.
O curta “Pretas” pode ser visto
no canal da produtora Invisível Filmes no YouTube.