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| Filhote de peixe-boi é resgatado e cuidado em centro de conservação no Pará. (Foto: Ascom/ICMBio) |
Um filhote fêmea de peixe-boi, já
batizada de Neguinha, foi resgatada depois de encalhar em uma praia na ilha dos
Pombos e levada por uma pescadora para a ilha da Conceição, também no município
de Limoeiro do Ajuru, na região Tocantins. A moradora acionou o Batalhão de
Polícia Ambiental de Belém, que comunicou o fato à Secretaria de Estado de Meio
Ambiente e Sustentabilidade (Semas). A partir daí, um trabalho interinstitucional
foi desenvolvido para o salvamento do animal, com parceria da Polícia Militar,
Fluvial de Abaetetuba, Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio) e
profissionais que atuam com mamíferos aquáticos.
O animal foi resgatado na ilha da
Conceição, em lancha da PM, e encaminhado via rodoviária para o fiel
depositário do animal, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da
Biodiversidade Marinha da Costa Norte do Brasil (Cepnor), do ICMBio, que
funciona em instalações dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia
(Ufra), em Belém.
A gerente de fiscalização da
fauna e recursos pesqueiros da Semas, Solange Chaves, classifica o trabalho
como de grande esforço interinstitucional, para manter vivo um indivíduo de uma
espécie ameaçada de extinção. “Todo o esforço da Semas está relacionado com a
conservação da espécie”, avalia.
“O animal herbívoro, que tem de
dois a três meses de vida, foi salvo pelo cuidado da moradora, que colocou o
peixe-boi em uma caixa d’água e o alimentou com leite e plantas aquáticas e
pela chegada da equipe do socorro no tempo certo”, explicou a veterinária
Doracele Tuma, do Grupo de Estudos Biológicos e Conservação de Mamíferos
Aquáticos da Amazônia (Bioma).
Coordenador do Cepnor, Alex
Klautau informou que o peixe-boi vai permanecer em tanque ou piscina, por cerca
de dois anos. “Depois ele vai para o semicativeiro, monitorado, provavelmente
no Parque do Utinga, até adquirir condições de ser solto no habitat natural, no
local onde foi encontrado encalhado”.
Segundo a bióloga Tainá Miranda,
a manutenção desse animal fêmea vivo favorece a reprodução quando voltar ao
meio ambiente, no controle biológico das plantas macrófitas aquáticas – muito
usadas na alimentação do peixe - e
também na participação da cadeia alimentar desenvolvida na vida aquática.
“Agora, o passo seguinte é fazermos a medição e a pesagem para o acompanhamento
necessário ao desenvolvimento do animal”.
