Ministério da Saúde destina mais de R$ 400 mil para presos no Pará



A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) já conta com dez unidades prisionais no Pará credenciadas a receber recursos do Ministério da Saúde (MS), por meio da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (PNAISP), para atender detentos nos estabelecimentos penitenciários. O total dos repasses já passa dos R$ 400 mil mensais, que são utilizados para pagamentos dos profissionais que compõem as equipes e materiais técnicos para atendimento aos presos.

No mês de dezembro mais duas unidades penitenciárias foram habilitadas pelo MS para receber os recursos destinados à saúde prisional: o Centro de Recuperação Regional de Paragominas (CRRPA) e o Centro de Recuperação Feminino de Marabá (CRFMAB) que aguardam a publicação da portaria de homologação do MS para serem contemplados com os recursos.

A assistência à saúde do preso e ao internado é dever do Estado garantido na Lei de Execução Penal (LEP) e tem caráter preventivo e curativo. Compreende-se como assistência o atendimento médico, farmacêutico e odontológico. O recurso é utilizado para a aquisição de materiais e contratação de profissionais da área médica para trabalharem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) situadas dentro dos centros de recuperação.

No Pará, o Centro de Recuperação Sílvio Hall de Moura (CRSHM), localizado no município de Santarém e também no Centro de Reeducação Feminino (CRF) de Ananindeua, juntos recebem mais de R$ 100 mil reais (R$ 103.938,90) que são depositados mensalmente na conta nacional para o fundo de recursos municipal onde a casa penal está localizada (cada uma com verba de R$ 51.969,45). Além dessas, outras seis unidades do Complexo de Santa Izabel também já são beneficiadas.

No CRF de Ananindeua, por exemplo, o recurso federal viabilizou a contratação de um técnico de enfermagem, enfermeira, auxiliar de saúde bucal e um médico psiquiatra para somar à equipe médica vinculada à Susipe que atua na unidade. A verba garantiu também a compra mensal de materiais de limpeza e técnicos, além de alguns medicamentos. 

A coordenadora da UBS do CRF de Ananindeua, Arlete Lanhellas, destaca a facilidade em fazer hemograma após a contemplação da unidade no programa. “Hoje, nós temos condições de fazer a coleta aqui mesmo na unidade e encaminhá-los para o laboratório uma vez por semana, não necessitando mais agendamento e nem deslocar a interna da unidade. A partir de fevereiro daremos início também ao exame de preventivo. Para exames especializados também é possível agendar diretamente pelo sistema de regulamentação do município, observando a disponibilidade”, pontuou.

A detenta Glenda Roberta Souza procurou a UBS do CRF de Ananindeua para tratar uma doença de pele e aprovou o atendimento que encontrou. “É a primeira vez que venho aqui e não tenho do que reclamar. De manhã, eu fui atendida e retornei a tarde já para receber a medicação, mas graças a Deus eu fui logo atendida”, relatou a detenta.

Na UBS do CRF Ananindeua são realizados por mês cerca de 2.800 atendimentos de enfermagem, 80 atendimentos clínicos, entre 30 e 40 consultas e exames especializados. Para a diretora em exercício da unidade prisional, Kelly Fiel, o fato de trazer profissionais para dentro do cárcere e viabilizar ações mais específicas significa melhorar a gestão e otimizar os serviços da saúde prisional.

“Nossa maior dificuldade é a saída da interna da unidade, pois requer viatura e escolta. Portanto, ao contar com os benefícios ocasionados pelo PNAISP temos uma significativa melhoria no atendimento e na logística, pois não precisamos mais deslocar as detentas para a realização de exames, por exemplo. Agora ao invés de atender a uma custodiada, podemos atender bem mais, além de garantir a segurança em possíveis tentativas de fugas e/ou resgates durantes os procedimentos externos que eram realizados”, ressaltou.

Para a titular da coordenadoria de Saúde Prisional, vinculada à diretoria de Assistência Biopsicosocial, Adriana Diniz, o recurso destinado pelo PNAISP é importante para a garantia dos atendimentos de sáude básica aos presos, como consultas médicas e exames. “Além da aquisição de insumos médicos de enfermagem e odontológico", concluiu a coordenadora.

Para se candidatar, a UBS precisa ter uma equipe de profissionais composta de, no mínimo, oito profissionais: médico, dentista, psicólogo, assistente social, técnico de enfermagem, auxiliar de saúde bucal e um profissional da área médica. A prestação de contas anual é de responsabilidade da Secretaria de Saúde Municipal onde o centro de recuperação está localizado.