Técnicos da Diretoria de Gestão
da Biodiversidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade
do Pará (Ideflor-bio) fazem, entre terça (27) e quinta-feira (29), visita
técnica ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A agenda ocorre no contexto do
projeto “Revisão da lista das espécies ameaçados de extinção no Pará” e tem o
objetivo de adquirir conhecimentos técnicos e metodológicos para atualização da
relação de animais e plantas vulneráveis à extinção no Estado.
Segundo a bióloga e gerente de
Biodiversidade do Ideflor-bio, Nívia Pereira, a visita técnica é o pontapé
inicial para a revisão da lista. “A partir dessa atualização teremos o norte
que vai apontar as espécies que merecem mais cuidados e atenção. Poderemos,
então, criar estratégias para protegê-las e conservá-las”. Para o ano de 2018,
os trabalhos focarão na lista das espécies da flora que estão vulneráveis à
extinção.
A lista das espécies ameaçadas de
extinção do Pará foi instituída pela primeira vez em 2007, pelo Museu Paraense
Emilio Goeldi, em parceria do Governo do Pará com a Conservação Internacional
do Brasil. Foram catalogadas, na ocasião, 181 espécies ameaçadas, das quais 53
plantas e 128 animais vertebrados e invertebrados.
Posteriormente, em 2008,
criou-se, no Estado, o programa Extinção Zero, que prevê, entre outras medidas,
a revisão da lista a cada cinco anos. “A revisão é necessária, pois, assim como
algumas espécies conseguem deixar a categoria de vulneráveis ou ameaçadas,
outras podem ingressar nessa lista”, explica a bióloga do Ideflor-bio.
A visita ao Jardim Botânico do
Rio de Janeiro justifica-se porque a instituição abriga o Centro Nacional de
Conservação da Flora (CNCFlora), maior referência na produção de informações
sobre a flora brasileira e responsável pela lista nacional oficial das espécies
de plantas ameaçadas de extinção, publicada em dezembro de 2014.
Para Nívia Pereira, a viagem
possibilitará o acúmulo de conhecimentos sobre metodologia, estratégias de
conservação e informações do sistema usado para o levantamento de dados sobre a
flora brasileira, entre outros estudos necessários para a avaliação do risco de
extinção das espécies da flora em nível estadual.
“O Pará conta com mais de sete
mil espécies de plantas em todo o território. Cada uma delas se divide em
gêneros, famílias e grupos. Analisar o grau de ameaça dessas plantas requer um
trabalho especializado e minucioso, que demanda uma metodologia bastante
apurada. É isso que estamos buscando junto ao CNCFlora e ao Jardim Botânico do
Rio de Janeiro”, declara Nívea Pereira.
Após a visita técnica desta
semana, os próximos passos são a consolidação de parcerias com instituições de
pesquisa e organizações não governamentais (ONGs) para fazer as avaliações e
estudos sobre as plantas locais. “A previsão é que essa lista esteja pronta no
fim de 2018, para em 2019 começarmos o trabalho relacionado à fauna”.
