 |
Coleta de sementes - Foto: Victor Canhedo
|
“O meu sentimento é de restauração da
vida, de poder contribuir com dias melhores para a humanidade”. É assim que Ana
Paula Nascimento, presidente da Cooperativa dos Extrativistas (Coex) expressa
sua emoção com o trabalho de coleta de sementes realizado na Floresta Nacional
de Carajás. Toda a variedade coletada por eles é adquirida pela Vale e
empregada em ações de recuperação de áreas mineradas ou de compensação
ambiental realizadas pela empresa. A atividade, além de gerar renda de forma
sustentável, tem contribuído para a conservação da Amazônia no sudeste do Pará.
O total de 5,6 mil quilos de sementes
foram coletadas no ano passado pela Cooperativa, que conta com 45 famílias
associadas. A coleta gera trabalho e renda para os cooperados. Em 2020, a venda
das sementes rendeu R$ 905 mil em recursos financeiros à Cooperativa. Este ano,
de janeiro a abril, a Vale já adquiriu 2 mil quilos de sementes coletadas nas
unidades de conservação da região. Entre as espécies, a castanha-do-Pará,
jaborandi, flor de Carajás, açaí, ipê amarelo e tantas outras plantas numa
diversidade de formas, cores e tamanhos.
Ana Paula explica que uma das funções da
cooperativa “é diversificar e criar novas matrizes econômicas e preparar os
associados em diversas atividades, seja com a folha, semente ou qualquer outro
produto florestal não madeireiro”. “O convênio para coleta de sementes veio
trazer essa diversificação e autonomia financeira para a cooperativa e também
inserir e dar novas oportunidades para os cooperados. É uma atividade muito
promissora que tem um mercado mais aberto em comparação a coleta da folha do
jaborandi e que vem fomentar a renda dos cooperados. Sem falar na questão
ambiental, em estar contribuindo para o reflorestamento e manter a floresta em
pé”, comemora.
Recuperação planejada - Conforme as
sementes é preparado um mix, que plantado recupera o verde em área antes
utilizadas pela mineração. Todo trabalho de plantio é calculado com uso de
espécies que atraem insetos, pássaros ou roedores, que estimulam a polinização
e a dispersão das sementes, fazendo o verde tomar conta de todo cenário
novamente. “Quem diria? Uma semente tão pequena se tornar uma lindeza. Uma
árvore tão imponente. Tão importante. Um gigante! Porque é assim que eu vejo a
floresta: um gigante”, diz Ana.
Segundo a gerente de Meio Ambiente da
Vale, Marlene Costa, é a essência do ciclo da vida. “O plantio contribui para o
retorno das espécies de plantas típicas da região, o retorno dos animais do
início ao topo da cadeia alimentar e, assim, a conservação de espécies nativas.
O que contribui para a melhoria da qualidade da água e do ar, para o equilíbrio
do ecossistema do planeta, para evitar a erosão e degradação do solo e combater
os gases do efeito estufa, enfim um ciclo da vida, que beneficia a todos nós”,
diz a gerente.
Saber natural com conhecimento
científico
Os cooperados também tem ampliado o
conhecimento sobre a diversidade da Amazônia com capacitação para a
identificação e mapeamento de plantas chamadas matrizes, de onde é coletada a
semente. Para a maioria das espécies, é
acompanhado o ciclo de floração, frutificação e de dispersão de sementes, o que
contribui para garantir uma variedade e qualidade das sementes a serem usadas
no plantio.
“Isso vem agregar nas atividades que a
gente desenvolve, porque hoje os cooperados tem o conhecimento tradicional,
mateiro, que aliado a essa parceria com os treinamentos, vem nos proporcionar o
conhecimento científico. Por exemplo, podemos conhecer uma planta aqui por um
nome e em outra região ser outro, já a linguagem científica é única e
universal. Também passamos a saber identificar, quando uma planta estará
dispersando, o que vai dando propriedade, conhecimento diverso, o empoderamento
dos cooperados nas atividades para o próprio negócio”, diz Ana.
A
Coex é a única cooperativa que possui autorização do Instituto Chico Mendes de
Biodiversidade (ICMBio) para execução da atividade de coleta de sementes na
Flonaca. A Cooperativa também executa a atividade de coletas de folha do
jaborandi. Desta espécie é extraída substância denominada pilocarpina, vendida
pela Coex para empresas farmacêuticas para produção de colírio usado no combate
ao glaucoma. O convênio com a Cooperativa foi estabelecido em 2017, desde
então, a Vale adquire sementes da Cooperativa para as ações de reflorestamento.
Em 2019, a cooperativa também foi
selecionada para o Programa de Aceleração de Negócios da PPA (Plataforma
Parceiros pela Amazônia), apoiado pelo Fundo Vale, e tem recebido mentorias em
gestão financeira e administrativa de negócios, logística, comercialização,
marketing e mensuração de impacto. Além disso, recebeu investimento por meio de
empréstimo com condições facilitadas para conseguir dar um salto em suas
operações. O Programa busca fortalecer o empreendedorismo na Amazônia e os
negócios que trazem benefícios sociais e ambientais para a região.