Nesta sexta-feira, 15 de julho,
comemora-se o Dia do Homem. Apesar de ainda pouco divulgada, a data é tema de
uma programação especial no estado, voltada à conscientização do público
masculino sobre os cuidados com a saúde. Infelizmente, essa é uma preocupação
que ainda não é vista como prioridade para muitos deles. Por questões
comportamentais, a maioria ainda é negligente em se tratando dos exames de
rotina ou mesmo diante de casos mais graves, como explica o titular da
Coordenadoria Estadual de Atenção à Saúde do Homem (CESH), da Secretaria de
Saúde do Pará (Sespa), Carlos Sales Júnior.
Segundo ele, a cultura de que o homem não pode demonstrar fragilidade
leva muitos pacientes a não procurar ajuda geral e especializada. “Os homens
estão se deixando adoecer para depois tratar o problema, o que é danoso e
dificulta as chances de recuperação”, adverte.
Mas este não é o único
impedimento. Segundo Carlos, também há uma demanda reprimida de profissionais
que atendam especificamente esse segmento, o que já não acontece com relação a
crianças, gestantes e idosos, por exemplo. “Temos que transformar as unidades
básicas de saúde em um ambiente acolhedor também para esse público. Como elas
pertencem à esfera municipal, o papel da Sespa é levar treinamento adequado aos
profissionais da área por meio de oficinas de capacitação e monitoramento dos
serviços voltados ao público masculino”, explica o coordenador.
Segundo ele, alguns municípios
que se destacam neste trabalho são Abaetetuba, Benevides, Conceição do Araguaia
e da ilha do Marajó. Carlos Júnior destaca, ainda, o número crescente de homens
que apresentam quadros de depressão, na comparação com o de mulheres, chamando
atenção para o aspecto social desse problema. “Há um esterótipo de gênero que
inibe o homem de demonstrar tristeza, sofrimento, e é difícil saber como lidar
com isso quando ele externaliza a doença”, observa.
Dados
Dados recentes do Ministério da
Saúde mostram que, no Pará, a rede hospitalar registrou 93.644 internações
devido a causas externas, como violência e acidentes; 70.887 devido a doenças
infecciosas; e 64.101 por conta de doenças do aparelho digestivo. Ao contrário
do que se costuma imaginar, casos de câncer de próstata, por exemplo, são
responsáveis apenas por 9.277 internações, ficando em 10º lugar no ranking das
causas de adoecimento.
No Brasil, a cada três pessoas
que morrem, duas são homens. No estado, as três principais causas de mortes nesse segmento são doenças do
aparelho cardiovascular (infarto, derrame), com 4.250 casos; problemas no
aparelho respiratório (3.500) e doenças infecciosas e parasitárias (2.800). Ainda
de acordo com as estatísticas do sistema de saúde, os homens vivem, em média,
sete anos a menos que as mulheres, que chegam a alcançar a idade de 77,4 anos,
contra 70,2 deles.

