Projeto de Aquaponia evita desperdício de água na agricultura



Uma tecnologia diferenciada de aproveitamento contínuo de água, com abastecimento de cultivo hidropônico de hortaliças e de criação de peixe a partir do mesmo poço artesiano, vem servindo como exemplo de desenvolvimento sustentável do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Brasil Novo, na região da Transamazônica.

O projeto de aquaponia, instalado em junho na propriedade da agricultora Aede Souza, na comunidade Carlos Pena Filho, aumentou em até 25% a colheita de alface, em comparação à hidroponia convencional - com mil pés colhidos por mês -, e ainda deve garantir complemento de segurança alimentar à família, com a pesca das tilápias que estão em cativeiro. São 50 peixes em uma caixa de mil litros. A iniciativa agroecológica é pioneira na região.

“O aumento da produtividade quanto às folhosas se deve por causa do acúmulo de fósforo na água. Com o regamento ininterrupto, as hortaliças recebem mais fósforo e são colhidas uma semana antes”, resume o zootecnista da Emater Fabrício Marçal.

Ele explica que, como a água passa por filtros mecânico, químico e biológico, ela nunca apodrece ou se contamina: “A água fica em constante circulação. O fluxo é utilizado para o fornecimento de nutrientes tanto para as plantas, quanto meio para a criação dos peixes. A água sai da caixa, rega a hidroponia, vai para os peixes, volta e é novamente filtrada. É um ciclo. A única perda é pela evaporação”, resume.

Para a agricultora Aede Souza, o resultado obtido superou todas as expectativas. “O crescimento foi muito rápido, muito superior ao que costumo conseguir na hidroponia. Além do que, minha família vai ter a disponibilidade do peixe para consumir”, comemora.

A Emater tem planos, em médio prazo, de estender o projeto para escolas municipais, de modo que os espaços sirvam não só como hortas, mas também de salas ao ar livre para aulas de ciências, como Química, Física e Biologia.