No Pará, Prouni aprova sete presos custodiados pela Susipe



Chegar a uma faculdade e concluir um curso superior é um sonho acalentado pela maioria dos brasileiros. Dentro dos presídios, esse sonho tem um significado ainda maior: é a oportunidade de começar uma nova vida e voltar ao convívio social. No ano passado, sete detentos custodiados no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), dentro do Complexo Penitenciário de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, foram aprovados no Programa Universidade para Todos (Prouni), do Ministério da Educação (MEC).

Criado pelo governo federal em 2004, o Prouni oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de educação superior. No Pará, 40 internos foram inscritos no programa e, até o momento, sete foram aprovados.

Entre os cursos escolhidos pelos internos estão Administração, Pedagogia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pedagogia, Engenharia de Produção, Tecnólogo de Gestão Ambiental e Tecnólogo de Gastronomia.

O detento Carlos Brito de Carvalho, 44 anos, passou em 1º lugar, enfrentando muita concorrência, no curso de Tecnólogo de Gestão Ambiental, em uma faculdade particular. Agora, ele espera a decisão da Justiça para poder frequentar as aulas. “Eu já tinha um curso de nível superior antes de entrar aqui, e agora estou tentando mais um, até mesmo para ocupar de forma positiva o tempo que eu passo aqui dentro. Como tenho uma formação melhor ajudo outros colegas a também conquistarem suas vitórias. Há quatro anos eu faço a prova e passo, mas não tive liberação da Justiça para cursar. Esse é nosso maior apelo, pois há um esforço progressivo aqui dentro para nos tornamos pessoas melhores, mas precisamos que a Justiça também nos deixe frequentar as aulas para nos profissionalizarmos e termos a chance de recomeçar”, disse o detento.

Critérios - Para ter direito a frequentar as aulas vários critérios são analisados pela Justiça. A  Lei de Execução Penal (nº 7210/1984) prevê o acesso à educação pelo sentenciado. O artigo 126, incisos I e II (alterado pela lei nº 12.433/2011), afirma que o condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir, por trabalho ou estudo, parte do tempo de execução da pena.

A contagem de tempo será feita da seguinte forma: um dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar - atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou de requalificação profissional - divididas, no mínimo, em três dias.

“Para que um preso possa frequentar as aulas na faculdade a primeira coisa que vai ser analisada pela Justiça é qual o crime cometido, e se o preso é provisório ou sentenciado, para que seja verificada qual a estrutura necessária para que esse detento se desloque até a faculdade. O juiz levará em questão também se será preciso escolta policial para levar o preso, se há contingente suficiente de agentes penitenciários e viaturas na unidade prisional para acompanhá-lo no período de aula, se a faculdade irá aceitar a presença dos policiais dentro da sala e dos locais em que o preso irá frequentar. Tanto os presos sentenciados quanto os presos provisórios irão precisar de escolta. Apenas os internos do regime semiaberto poderão sair do presídio sem a presença de policiais militares e agentes penitenciários”, explicou Giane Salzer, diretora de Execução Criminal (DEC), da Susipe.

O interno Leandro Furo, 29 anos, também foi aprovado pelo Prouni. Ele passou em 11º lugar no curso de Tecnólogo em Gastronomia, pelo sistema de cotas para pessoas de baixa renda e que estudaram em escola pública. “Todos os anos nos esforçamos muito para conseguir obter sucesso nas provas. É um desafio para cada um de nós, e esse nós estamos vencendo. Só esperamos agora que a Justiça nos libere para poder frequentar as aulas. Mesmo com todas as dificuldades que temos aqui, nós acreditamos que é pelo estudo que iremos ter sucesso, e precisamos desse apoio para seguir em frente”, disse Leandro.


Para Aline Mesquita, da Coordenadoria de Educação Prisional (CEP), da Susipe, as seleções do Prouni e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) são oportunidades de inclusão social. “Estamos tendo uma evolução ano a ano. Nós queremos que eles acreditem na possibilidade de mudança por meio do estudo e trabalho. Ano que vem, com toda certeza, teremos mais inscritos. Não temos dúvidas, mais notas que levam não só ao caminho da universidade, mas ao caminho da mudança. Ademais, os resultados têm revelado que a educação tem modificado a cultura prisional, pois os internos estão cada vez mais interessados em atingir níveis mais altos de escolaridade”, concluiu Aline Mesquita.