Dados divulgados pelo Ministério Público
do Trabalho, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT),
mostram que de 2017 a março deste ano ocorreu, pelo menos, a morte de um
trabalhador brasileiro a cada quatro horas e meia, vítima de acidente de
trabalho. Uma média que não surpreende o técnico em Segurança do Trabalho do Centro
Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), Antonio Zamprognado.
Segundo ele, o trabalho do técnico em
Segurança é uma luta diária de prevenção e conscientização. "Infelizmente,
nosso País é o campeão em ocorrências de acidentes de trabalho. A OIT instituiu
o Dia Mundial de Prevenção - 28 de Julho -, focando, principalmente, o Brasil.
Porém, ainda enfrentamos problemas, a omissão dos empregadores e a imprudências
dos funcionários com as regras. Nosso trabalho é bater na tecla da prevenção
todos os dias", reitera.
Antonio Zamprognado enfatiza que nem
sempre os trabalhadores atentam para os riscos no ambiente de trabalho, onde,
em questão de segundos, pode ocorrer um grave acidente. "Precisamos estar
sempre atentos. Muitas vezes eu já previ situações de acidentes. O técnico
precisa trabalhar com a mente e a observação. No CIIR, nosso trabalho é baseado
em palestras e orientações sobre o uso de EPI (Equipamento de Proteção
Individual), que muitas vezes são esquecidos pelos trabalhadores”, acrescenta.
É melhor prevenir - Diante desse
cenário, o especialista ressalta que as empresas, ao investirem em segurança do
trabalho, só têm a ganhar. Além disso, o trabalhador também precisa ser
condicionado a seguir algumas regras. "Se não conseguirmos condicionar as
pessoas a ficarem atentas aos riscos essa média nunca vai mudar. No âmbito do
acidente de trabalho é sempre bom pensarmos que se existe uma possibilidade
para mil, ela pode acontecer. A palavra de ordem sempre será prevenção",
afirma Antonio Zamprognado.
Entre os acidentes mais comuns estão
quedas, choques contra objetos, lesões na coluna e lesões por esforço
repetitivo (LER). Segundo o coordenador Assistencial da Fisioterapia do CIIR,
Eduardo Rocha, a LER é denominada atualmente como Dort (Doenças Osteomulares
Relacionadas ao Trabalho), causadas por mecanismos de agressão ao sistema
músculo-esquelético, que vão desde esforços repetitivos durante a jornada de
trabalho, ou que exigem muita força na execução, até vibrações, posturas
inadequadas e estresse.
"O diagnóstico é basicamente
clínico, realizado pelo médico, que irá determinar a causa do problema e eleger
o tratamento medicamentoso mais adequado. O trabalhador poderá ser direcionado
para a avaliação de uma equipe multidisciplinar, composta por fisioterapeutas,
terapeutas ocupacionais, psicólogos, dentre outros, com a finalidade de
potencializar o tratamento, reduzindo a inflamação e a dor. Além de diminuir o
impacto psicológico, como cinesiofobia (medo de movimentar), ansiedade e
depressão", informa Eduardo Rocha.
