O WWF-Brasil lança um raio-X das ameaças
sofridas pelas Unidades de Conservação (UC) da Amazônia brasileira. O estudo
sobrepôs os principais vetores que historicamente vêm causando alterações nos
limites e categorias de áreas protegidas (como obras de infraestrutura e
projetos de mineração) e os limites das 316 unidades de conservação federais e
estaduais na Amazônia brasileira.
As principais causas são obras públicas
de infraestrutura (transporte, geração de energia) e pressões diversas pelo uso
de solo (desmatamento, atividades agropecuárias e mineração).
Com base na plataforma PADDDTracker
(padddtracker.org), constatou-se que 46 eventos desse tipo ocorreram no bioma
entre 1988 e 2018, totalizando 14 exclusões, cinco mudanças de categoria e 27
reduções de áreas, que afetaram 37 unidades de conservação (27 estaduais e
10 federais), em especial parques (12) e florestas (14). O fenômeno, conhecido
internacionalmente pela sigla PADDD (Protected Areas Downgrading, Downsizing
and Degazettement) ameaça áreas protegidas em todos os continentes, mas é
especialmente preocupante em países como os Estados Unidos e Brasil.
Além dos 46 casos de PADDD já
efetivados na Amazônia (afetando uma área de aproximadamente 88 mil km2),
outras 29 ameaças de PADDD já foram registradas para o bioma até 2018: 16
tentativas de extinção de áreas; três mudanças de categoria e 10
reduções, totalizando 23 UC afetadas (três estaduais e 20 federais), em
especial parques (8) e florestas (9). Caso se efetivem, essas propostas
impactariam mais de 190 mil km2 em área.

