Manter o controle emocional é um
verdadeiro desafio. Em um cenário de isolamento social, distanciamento
familiar, incertezas profissionais e vivência do luto, é uma missão quase
impossível. Os gatilhos são inúmeros e o impacto vem com o desenvolvimento ou
agravamento de transtornos mentais que podem levar a diferentes desfechos, e
nos casos mais graves, ao suicídio.
Em escala crescente e global, o suicídio
já é considerado um problema de saúde pública em vários países. Dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a cada três segundos, uma pessoa
atenta contra a própria vida. Ainda que o número seja preocupante e acenda um
alerta, esses casos podem ser evitados com ajuda de profissionais da saúde.
Essa chance está relacionada com a origem desses suicídios, já que cerca de 90%
dos casos notificados tem relação com transtornos mentais.
"Um dado como esse revela a
importância de se buscar tratamento. Se 90% dos casos possuíam algum
transtorno, significa que 90% das mortes por suicídio eram evitáveis",
explica o médico psiquiatra Kleber Oliveira, da Fundação Hospital de Clínicas
Gaspar Vianna (FHCGV).
Ajuda na Pandemia
Segundo pesquisa feita com 400 médicos
de 23 estados e do Distrito Federal divulgada recentemente pela Associação Brasileira
de Psiquiatria (ABP), quase 50% dos profissionais perceberam um aumento no
número de atendimentos após o início da pandemia, ocasionado pela chegada de
novos pacientes e pelo retorno de outros que já haviam recebido alta médica,
mas que tiveram recidiva de seus sintomas.
A partir dessa realidade, a Fundação
Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, referência estadual em Psiquiatria, ampliou
o atendimento no "Ambulatório da Ansiedade" para usuários dos
serviços da instituição. O programa foi criado durante a pandemia para oferecer
suporte aos usuários da FHCGV.
"Vimos que nossos pacientes
passaram a ter necessidade desse acompanhamento e estendemos esse atendimento
oferecendo estratégias multiprofissionais para enfrentamento das crises e
administração das emoções, com a utilização de técnicas de yoga, desenho,
meditação, relaxamento e respiração", acrescenta a terapeuta ocupacional
Márcia Nunes.
Foi a partir do acompanhamento no
"Ambulatório da Ansiedade" que a manicure Lucivânia da Silva, de 36
anos, entendeu os motivos da insônia e dos comportamentos compulsivos que
estavam interferindo na sua qualidade de vida e até mesmo no convívio com a
família. "O atendimento tem me ajudado bastante. Sigo todas as orientações
e sinto uma melhora. Mas o que me deixa mais feliz é poder ver tudo se
resolvendo no meu relacionamento com minha mãe e minhas filhas", comemora
Lucivânia.
Psicóloga e chefe do Serviço
Psicossocial do Hospital de Clínicas, Tatiana Reis ressalta a importância de
uma assistência multidisciplinar nos casos de transtornos mentais. "Quando
profissionais de diferentes áreas trabalham em conjunto, aumentamos as chances
de compreendermos os motivos que levaram o indivíduo àquele quadro, oferecendo
suporte ao paciente e aos seus familiares", detalha a profissional.
Orientação para prevenção
No Brasil, desde 2014, a campanha
"Setembro Amarelo" busca fomentar a prevenção de doenças mentais
combatendo a desmistificação do tema, a partir de campanhas de orientação e do
debate em torno da promoção de políticas públicas de saúde que possam reduzir o
número de óbitos por suicídio e, principalmente, oferecer suporte assistencial
às pessoas que precisam.
Para ampliar as discussões sobre o tema,
o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna realizará a live "A Valorização da
vida em tempos da Pandemia".
Programada para às 20h da próxima
quinta-feira (10) - Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a live contará com a
participação de profissionais do Hospital de Clínicas, entre eles o médico
psiquiatra Kleber Oliveira, que explica a escolha do tema: Valorização da vida
em tempos de Pandemia. "É necessário, primeiro, valorizarmos a vida para
não desprezarmos os problemas mentais. Os tratamentos dos transtornos podem
modificar a forma de pensar e o comportamento do paciente, fazendo com que a
intenção de se matar seja extirpada", enfatiza o psiquiatra.
Atendimento
O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna
também possui serviço de emergência 24h por dia em Psiquiatria e Cardiologia.
Em outros casos, o paciente precisa ser regulado pela via Sistema Único de
Saúde. O encaminhamento pode ser obtido em Unidades Básicas de Saúde e o
atendimento com consultas e outros procedimentos é feito de acordo com a
avaliação clínica do paciente.
Além de referência em Psiquiatria e
Cardiologia, o Hospital de Clínicas também conta com atendimento especializado
em Nefrologia.
Serviço
Live: "A Valorização da vida em
tempos da Pandemia"
Data: 10/09/2020
Horário: 20h
Transmissão pelo Facebook do Hospital
(@gasparviannaPARA)
Participantes:
Kleber Oliveira - Psiquiatra no Hospital
de Clínicas Gaspar Vianna
Evelyn Cristina Coelho - Enfermeira no
Hospital de Clínicas Gaspar Vianna
Ana Cláudia Pitan - Residente no
programa de Psicologia do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna

