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Profa. Valeria Petri
Para a dermatologista Valéria Petri, primeira médica a detectar o HIV no Brasil, em 1982, as mulheres são sinônimo de coragem e força- Divulgação/UNIFESP |
Globalmente, ainda de acordo com a ONU,
menos de 30% dos pesquisadores e cientistas são mulheres.
"Tem o 8 de março que faz as pessoas dizerem assim: ah eu adoro as mulheres. É? Não diga. Tem o 8 de março que aparecem as mulheres que tem a coragem que eu nunca tive. Vou te dizer que coragem elas têm. Elas acordam às 4h da manhã, pegam um transporte, dois transportes, ou três e chegam no trabalho. Seja o que for que ela for fazer, ela está gostando do que ela faz, ela capricha. Ela se diverte, ela se sente bem e ela mostra o que ela é mesmo. Uma pessoa que contribui com a humanidade. É isso que é a mulher”, afirma a médica.
Valéria relembra que, no surgimento dos
primeiros casos de HIV no Brasil, a síndrome foi tratada, a princípio, com
preconceito, principalmente entre alguns médicos homens. "Eu não recuso,
nem as mulheres recusaram. As mulheres não recusaram. Agora, os homens da época
ficaram até bravos comigo quando eu mandava pacientes para serem examinados em
outras áreas. Alguns diziam: você não me manda estes pacientes porque eu não
quero. Por que? Porque para os homens é mais difícil lidar com a transgressão”,
afirma.
Depois da descoberta na década de 80, a médica ganhou prestígio internacional, publicou vários livros e chegou a ocupar o cargo de vice-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), instituição da qual ela é professora titular desde 1996.

