Há 3 semanas, a estudante Heloísa Anlec, 20
anos, passou por um grande susto. Seu cãozinho, Tom, amanheceu com o pescoço
muito inchado. Sem condições de pagar por uma consulta veterinária particular,
a estudante levou o bichinho ao Hospital Veterinário Municipal Dr. Vahia.
Coordenado pela Secretaria Municipal de
Saúde (Sesma), o HVM é o primeiro hospital público voltado para cães e gatos da
região Norte. A unidade fica localizada no bairro do Tapanã, às proximidades do
cemitério público, e atende gratuitamente casos de urgência (traumas,
envenenamentos, hemorragias e convulsões), de domingo a domingo, de 9 às 16 horas.
Na manhã desta quarta-feira, 14, Tom
esperava ser submetido à sua segunda sessão de quimioterapia. Depois de vários
exames realizados no HVM, foi diagnosticado um CA benigno no maxilar do
cãozinho. Mais duas sessões de quimioterapia serão necessárias para o pequeno
Tom voltar a correr serelepe por sua casa.
“Eu não conseguia estudar, trabalhar,
fazer nada, preocupada com ele. Meu bichinho faz parte da família. Se não
tivesse esse hospital, não teria como tratá-lo.
O amor que eles dedicam aos animais aqui é incrível. Acho lindo como
todos eles lembram o nome do Tom”, relata a estudante e tutora do cão, Heloísa.
Da desconfiança à credibilidade
Quando a administradora Lívia Costeira,
28 anos, percebeu sangue nas fezes de seu cão, Júnior, de apenas 8 meses, ficou
desesperada. Moradora do bairro da Marambaia, ela pesquisou sobre o
funcionamento do Hospital Veterinário Municipal e ficou preocupada com o tempo
de espera na fila. Mas, a tutora de Júnior não teve escolha. Para sua surpresa,
o atendimento foi rápido, Júnior passou por todos os exames, nada foi
encontrado na ultrassonografia. Nesta quarta-feira, 14, ela levou o cãozinho
para o retorno do atendimento no HVM.
“Acho que o Júnior comeu algo que o fez
mal. Mas fomos muito bem atendidos, desde a portaria, e os remédios passados o
fizeram melhorar consideravelmente”, comemora Lívia.
Expansão do atendimento
De janeiro a março deste ano, o HVM
registrou 5.196 atendimentos de cães e gatos. Mas assim que a pandemia
permitir, o horário de atendimento voltará a ser como antes, de 07 às 19 horas
e a demanda será ainda maior.
Em breve, o número de veterinários será
ampliado, de 23 para 31 profissionais, o que permitirá uma expansão no
atendimento e a possibilidade, inclusive,
do hospital passar a funcionar 24 horas.
“A Sesma se sensibilizou em relação à
nossa grande demanda. Afinal, a causa animal também envolve a saúde pública.
Nosso maior objetivo é atender a população carente, que não tem como pagar uma
consulta particular. Isso evita o abandono de animais, e afasta a proliferação
de zoonoses, que são as doenças que os animais podem transmitir aos humanos”,
destaca a médica veterinária e diretora do Hospital Veterinário de Belém,
Márcia Alves.
Dentro do plano de expansão, o Hospital
Veterinário Municipal pretende, ainda este ano, atender às ONGs e protetores
animais, disponibilizando uma equipe extra, aos finais de semana, para o
cuidado dos animais resgatados.
Acolhimento e carinho
O carinho dedicado aos pacientes do
hospital é percebido desde a entrada. É lá que reinam o felino Edinho e sua
cria, Edinho Júnior. Abandonado pela mãe
ainda filhote, Edinho Júnior e seu pai foram adotados como mascotes pelo
hospital. Ganharam uma casinha de madeira, almofadas, alimento, água e muito
amor dos mais de 40 funcionários do local.
É essa dedicação que domina todos os
ambientes do Hospital Veterinário Municipal. Onde cada vida cuidada traz a
marca do amor animal.