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| Crédito: Ricardo Amanajás / Arquivo Ag. Pará |
Os profissionais de saúde do Hospital de
Campanha do Hangar, unidade localizada em Belém, estão usando a música para
combater o estresse e a ansiedade de pacientes em tratamento contra a Covid-19
na unidade.
Por meio do projeto "Bem Me
Quer", iniciativa do setor de Humanização do hospital, os profissionais se
reúnem duas vezes por semana para cantar e tocar músicas e louvores aos
pacientes.
A musicoterapia, como é chamada o uso da
música no processo terapêutico, auxilia no tratamento dos pacientes, além de
proporcionar um momento de lazer e conforto emocional.
De acordo com Adriany Costa, psicóloga
da unidade, a musicoterapia tem um importante papel no tratamento da Covid-19,
já que os pacientes precisam ficar isolados para o tratamento da doença, tendo
que conviver distantes de familiares e amigos.
"Nós temos uma grande preocupação
em tornar o tratamento mais acolhedor ao paciente e a música possui um
importante papel, pois nos ajuda a diluir medos e ansiedades e se torna uma
ferramenta capaz de melhorar o humor, reduzindo o estresse", explica.
A profissional acrescenta que durante o
tratamento da Covid-19 é natural os diversos sentimentos gerados durante a
internação, como medo, angústia e até raiva. "Quando o paciente encontra
uma escuta ativa e positiva, ele cria um registro em sua mente com impactos que
afetam positivamente as relações com o corpo", complementa Adriany.
O Hospital de Campanha do Hangar é a
maior unidade do Pará voltada para o atendimento exclusivo de pacientes com a
Covid-19. O hospital conta com 220 leitos e foi implantado pela Secretaria de
Estado de Saúde Pública (Sespa) desde abril de 2020.
No projeto "Bem Me Quer"
participam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais
que possuam interesse em contribuir na ação, seja tocando violão ou cantando.
"Não há um número específico de colaboradores que participam, mas desde a
sua implantação percebemos que o projeto também está beneficiando os
profissionais", comenta Elizabeth Cabeça, responsável pelo setor de
Humanização.
"Além da alegria em proporcionar
momentos de conforto aos pacientes, os profissionais de saúde também são
capazes de amenizar os próprios anseios na assistência ao paciente. Todos são
beneficiados", ressalta.
Para o secretário de saúde do Pará,
Rômulo Rodovalho, a musicoterapia traz acalento aos pacientes que passam pelo
isolamento social durante o tratamento do novo coronavírus. "O recurso da
música proporciona ao paciente emoções positivas. Com isso, há melhora do humor,
atenção, concentração, memória e, consequentemente, esse processo auxilia no
tratamento contra a a doença", destaca.
Pacientes comentam
Para Gleyce da Silva Carvalho, de 47
anos, vinda Ponta de Pedras, a cerca de 42 quilômetros da capital paraense, foi
emocionante ouvir uma de suas músicas favoritas. Com saudade de casa e dos
quatro filhos, a funcionária pública conta que a atividade faz a diferença no
processo de recuperação.
"Esse momento é precioso. Quando as
pessoas vêm para um lugar como esse, um hospital, não é porque estão bem. Aqui
você chega com a esperança de esperança de ser curado. Neste sentido, ter
alguém do lado para conversar, ouvir música é muito bom e, sem dúvida ajuda
para a melhora", afirma.
Outra paciente que se emocionou com a
atividade foi Maria Raimunda, 51, que veio de Barcarena, no interior do Pará, e
está em tratamento contra o coronavírus há sete dias.
"Essas pessoas são anjos. Tiram
tempo para cuidar e de se preocupar ainda mais com cada paciente",
comenta. "Eu já passei por muitas coisas na minha vida. Entendo que esse é
mais um momento que viverei, mas só depois vou entender o motivo disso",
conclui.
O Hospital de Campanha já atendeu mais
de seis mil pacientes. Com ações estruturadas para o auxílio de quem mais
precisa, a unidade é referência no tratamento da Covid-19 e de forma gratuita
pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo Elizabeth Cabeça, todos os
processos no hospital são baseados e focados na recuperação dos pacientes. "O
objetivo principal de qualquer ação é proporcionar o bem-estar dos pacientes e
torná-los participantes do processo de recuperação", diz a responsável
pelo setor de Humanização.
Elizabeth reforça que as ações de
humanização no hospital traduzem os esforços em "transmitir ao paciente
que cada profissional de saúde está ali, do lado deles, lutando para
recuperá-los e que não vamos desistir da vida".