O pequeno Leonan Pina, de 4 anos de idade,
está há 1 mês em tratamento contra uma leucemia, no Hospital Oncológico
Infantil Octávio, em Belém. Ele foi um dos primeiros pacientes a saborear o
açaí, que passa a fazer parte do cardápio oferecido aos pequenos pacientes que
recebem cuidados assistenciais oncológicos.
A novidade começa a ser uma rotina
desenvolvida pelo Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do hospital. É um
incremento que integra a dieta alimentar das crianças, além de proporcionar ao
paciente a possibilidade de vivenciar a experiência de se sentir um pouco em
casa, pois a fruta é tão comum para a cultura gastronômica da Região Norte.
Ao receber o açaí, mesmo com uma certa
timidez, o paciente Leonan Pina fez um gesto positivo, expressando com um largo
sorriso a sua aprovação e satisfação após ter saboreado a fruta mais marcante
da Região Amazônica.
A avó de Leonan, Dilza Góes, elogiou a
iniciativa do Oncológico Infantil. “Nota dez para o hospital. Achei muito bom.
É um alimento que ele gosta muito e está acostumado a tomar em casa”, disse.
Para que a novidade se tornasse
realidade, o hospital desenvolveu alguns estudos e visitas técnicas em vários
estabelecimentos na Região Metropolitana de Belém que comercializam e
beneficiam o fruto. As visitas contaram com o apoio do Setor de Controle de
Infecção Hospitalar (SCIH).
A coordenadora do SND do Oncológico
Infantil, Renata Porto, explica como foi possível. “Depois de longo
levantamento, conseguimos um produto de ótima qualidade, que passa por processo
industrial rigoroso, em que uma das etapas é a pasteurização, cujo objetivo é
eliminar possíveis microrganismos e, consequentemente, tornando o alimento mais
seguro para o consumo”, pontuou.
Segundo Dayse Gurjão, nutricionista
clínica do hospital, nem todos os pacientes podem consumir o açaí. “Existem
alguns critérios para a liberação do consumo, que varia desde a consistência da
dieta até as condições clínicas do paciente, por isso não são todos que estão
liberados para a ingestão do alimento”, afirma.
“O açaí é uma boa fonte de energia, possui
vitaminas e minerais que contribuem para a recuperação nutricional dos
pacientes. É rico em antioxidantes que auxiliam diretamente no combate ao
câncer, minimizando os efeitos colaterais do tratamento”, acrescenta a
nutricionista da área de Produção do SND, Beatriz Damasceno, sobre a vantagem
do uso da fruta no cardápio.
A diretora Assistencial do Oncológico
Infantil, Lorena Portal, destaca o esforço da instituição para ofertar o melhor
serviço aos pacientes. “Foi uma árdua busca por fornecedores que atendessem
rigorosamente aos critérios exigidos pelo hospital, uma vez que atendemos
crianças mais vulneráveis em função do tratamento. Portanto, a inserção do açaí
no cardápio foi uma grande conquista, e todos os usuários e acompanhantes
relatam a sua satisfação por essa novidade”, observou.
Os critérios levados em consideração
para a aquisição do alimento foram além do que é exigido pela Vigilância
Sanitária, visto que os pacientes em cuidados oncológicos ficam com a imunidade
altamente fragilizada. O SND, pensando nisso, buscou fornecedores com rigorosos
controles de qualidade que se adequassem a esse perfil de pacientes
vulneráveis.
Os critérios observados pelos
profissionais envolvem a procedência do fruto, linha de produção sem
cruzamentos de tarefas, higiene adequada em todo ciclo de preparo, tratamento
térmico adequado, documentações atualizadas de comercialização do produto, além
do selo de qualidade concedido pela Anvisa.
Em uma das pesquisas de satisfação
realizadas pelo SND, o açaí foi o alimento mais solicitado pelas crianças. A
fruta está na lista dos alimentos considerados como _confort food_, ou seja, o
que desperta a memória afetiva, devolve, mesmo que por um momento, a sensação
de estar em casa. Sendo inserido no seu hábito alimentar, resgata vivência,
diminui o estresse causado pela internação e traz mais conforto para a criança
e sua família.
Referência na oncologia pediátrica
Inaugurado em outubro de 2015, o Hospital
Oncológico Infantil Octávio Lobo é uma instituição pública que pertence ao
Governo do Estado do Pará, sendo gerenciado pela entidade filantrópica
Pró-Saúde, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública
(Sespa).
A unidade hospitalar é a primeira da
Região Norte e é referência no tratamento e diagnóstico do câncer
infantojuvenil na faixa etária de 0 a 19 anos, atendendo a pacientes de forma
100% gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).