Corpo de Lucas Gomes é velado em Bragança

Lucas Gomes na Tuna Luso - Foto Antônio Cícero - Todos os direitos reservados


Pela manhã o corpo do jogador será homenageado, logo cedo, em cortejo pelas ruas do município de Bragança. O caixão será colocado no carro do Corpo de Bombeiros. Depois, será levado ao cemitério da localidade de Nova Canindé, em Montenegro (também conhecida como Vila Jessé Guimarães), a 42 quilômetros de Bragança, pela rodovia Dom Eliseu (PA-112). O cemitério abriga um jazigo da família próximo à localidade da Terceira Travessa do Montenegro.

Chegada - Cerca de cinco mil crianças, mulheres e homens receberam, às 20h54, o corpo do jogador paraense Lucas Gomes no Estádio Olímpico São Benedito, o Diogão. Após cinco horas de cortejo entre o aeroporto de Belém e o município, as pessoas se agitaram ao som das sirenes de sete viaturas que finalmente chegavam às portas do estádio.

Do lado de fora, outra multidão já se apinhava aos pés da grande imagem do padroeiro de Bragança - que se impõe em frente aos portões do estádio Diogão, que comporta sete mil torcedores. Também se espalhavam desde as últimas horas da tarde deste domingo (4) por vários carros, bicicletas e motocicletas, que já tomavam o entorno do estádio - onde não conseguiram acesso. Dentro, da arena, uma onda de emoção então levantou a multidão: o cortejo foi ovacionado pelo estádio, por cinco inesquecíveis minutos, ao som de brados que entoavam "o campeão voltou!!!".

O estádio Diogão não conta com refletores para abrigar partidas noturnas. Naquele momento, a arena era iluminada apenas por faróis de carros, que se colocaram em campo, focando no lugar onde o caixão do jogador seria finalmente visto pelo povo bragantino. De repente, uma constelação de câmeras de celulares ligadas rendeu um inesperado espetáculo sob a noite já estrelada: o caixão de Lucas Gomes, finalmente, descia do carro fúnebre rumo ao gramado. Houve forte comoção. Palmas se misturaram a lágrimas e nós na garganta. O povo bragantino prestava seu mais respeitoso reconhecimento a um atleta paraense que, naquele momento, era alçado a patamar de herói nacional pelos feitos no futebol profissional e pelo destino trágico do time catarinense Chapecoense.

“Esse seria o ano dele”, falou inconformado o representante comercial Toni Monteiro, 36, à beira do campo. Ele aguardava pelo cortejo desde as 15h30, sob um sol impiedoso. “Foi uma tragédia sem precedentes”, entristecia-se.

Honras – Sob a brisa noturna que soprava sobre os momentos alternados de comoção, palmas e silêncio contrito no estádio São Benedito, oito homens do exército carregaram o caixão de Lucas Gomes até o gramado da arena. Lá, pais e outros familiares e amigos se abraçaram ao caixão preto que leva uma faixa verde. Mais palmas e mais lágrimas vieram da multidão, aos brados de “Vamos, vamos Chape!!”, por mais alguns minutos.

“Esse é o troféu do primeiro título profissional conquistado por Lucas Gomes pelo Bragantino, em 2011”, diz Wanderlei Ribeiro frente ao caixão. Representante de José Joaquim Diogo, o fundador do estádio e do clube do Bragantino, Ribeiro está à beira do gramado enquanto entrega a grande taça ao pai do atleta. Seu Luiz Gomes, visivelmente emocionado, apenas agradeceu. “Obrigado! Obrigado!”, desabava em lágrimas. Ao lado deles, 16 homens e mulheres de um grupamento da Cruz Vermelha e outros quatro integrantes da Guarda Municipal de Bragança.

“O trajeto do aeroporto de Belém até aqui foi de grande emoção. Não tivemos grandes paradas, mas quase todas as localidades à beira da estrada prestavam homenagens. Tivemos que vir com mais cuidado. Os familiares agradeciam acenando pelas janelas”, contou Joelson Sampaio, 39, motorista que conduziu o carro fúnebre de Lucas Gomes. “As pessoas soltavam fogos, tinham balões às mãos. Foi muito, muito emocionante. Pena que foi uma homenagem numa ocasião tão triste”, resumia.

Nas ruas – A emocionante cerimônia no Diogão acabou às 21h30, quando o carro dos Bombeiros onde foi colocado o caixão do jogador deu uma volta olímpica no estádio. O cortejo então retomou as ruas de Bragança, rumo à casa da família, no bairro do Morro.

Bragança parou para ver o cortejo do estádio Diogão até a residência da família. Muitos se revezavam à beira da PA 308 para acompanhar. Um grande engarrafamento de motos e carros se formou. Quando lá chegou, às 22h15, uma multidão, porém, já tomava a vizinhança, subindo nas casas e lotado ruas próximas – apesar de o quarteirão da família estar, desde a tarde, isolado por forças policiais e com o trânsito fechado.

Lá perto, o ginásio já estava tomado desde as 20h30 com mais bragantinos à espera do velório aberto ao público. Ninguém mais entrava ou saía, esperando o corpo do jogador. A multidão começou a se aglomerar em frente ao ginásio já nas últimas horas da tarde deste domingo, mas a movimentação começou ainda pela manhã. Compareciam com balões, bandeirolas e vestes em homenagem às cores verde e branco do time Chapecoense.

O corpo do jogador passou duas horas em velório privado, apenas para familiares, antes de seguir ao ginásio.