Governo prepara medidas judiciais sobre questão do aterro de Marituba


Foto Antônio Silva - Agência Pará
O governador do Estado do Pará, Simão Jatene, afirmou durante reunião realizada nesta quarta-feira (12), que já acionou a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para formalizar uma ação judicial que garanta a possibilidade de intervenção direta no aterro sanitário de Marituba, de responsabilidade da empresa Guamá Tratamento de Resíduos. Na audiência com moradores do entorno do aterro, prefeitos, deputados e vereadores, o secretário de Meio Ambiente do Pará, Luiz Fernandes Rocha, e técnicos da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) destacaram o trabalho de fiscalização e autuação que vem sendo imposto à empresa durante todo este período.

No entanto, como o problema persiste, o governador Simão Jatene destacou a necessidade de uma ação mais emergencial, até que se definam alternativas em médio prazo. “Estamos ouvindo especialistas para encontrar uma solução técnica razoável para solucionar os problemas que foram detectados com urgência. Não dá mais para esperar a empresa tomar providências, já que mesmo com a aplicação de autos, notificações emitidas e multas correndo diariamente, não foi resolvido. Vamos tomar uma atitude e intervir, temos total disposição, mas dependemos de uma decisão judicial. Para isso contamos com a participação da população para dar subsídios e acompanhar em conjunto o que vem sendo feito”, declarou Jatene.

Sobre a intervenção do governo estadual no aterro, o procurador-geral do Estado, Ophir Cavalcante, explicou como a PGE vai agir. “Vamos buscar as soluções jurídicas adequadas para o Estado poder realizar esse trabalho. As questões ambientais e de saúde envolvidas justificam uma intervenção direta do Estado no sentido de regularizar a prestação dos serviços na defesa da sociedade. Também vamos ajuizar uma Ação Civil Pública para que a empresa seja responsabilizada por todas as despesas com a cobertura do lixo, com a conclusão da área do aterro e o tratamento do chorume. Queremos tranquilizar os cidadãos de Marituba e da RMB quanto às medidas que o Estado vai adotar na defesa da saúde pública e do meio ambiente, enormemente violados pela empresa”, afirmou o procurador.

Fiscalização e multas - No final do mês de março, a Semas apresentou uma notificação com 25 itens que estabelecem prazos para que a empresa providencie a cobertura definitiva dos resíduos expostos, instale sistema de drenagem pluvial definitivo, faça monitoramento do odor do aterro, cubra a lagoa de chorume descoberta e outras determinações. Desse total de itens, 11 já ultrapassaram o limite de tempo estabelecido sem atendimento das determinações exigidas pela Semas. Além das vistorias e fiscalizações in loco para monitorar o empreendimento, a Semas também visita as comunidades do entorno.

Por descumprir prazos e ações está sendo aplicada multa diária de R$ 320 mil à empresa e foi instaurado inquérito policial, para apurar crimes ambientais na área. Somente em 2016, a Semas aplicou 14 autos de infração. Destes, cinco foram apurados, e lavradas multas que somaram cerca de R$ 150 mil. Os demais estão em análise jurídica para determinação de valores. Nos primeiros meses deste ano, outros 14 autos foram aplicados.

A Guamá Tratamento de Resíduos iniciou as atividades em junho de 2015 e, no mesmo ano, a empresa obteve a Renovação de Licença de Operação. O aterro sanitário recebe resíduos dos municípios de Belém, Ananindeua, Santa Izabel do Pará, Benevides, Marituba e Santa Bárbara do Pará.