Campanha Julho Amarelo oferece uma semana de testagens para hepatites dos tipos B e C




Nesta segunda-feira (23), será dada a largada para a semana de testagens dos tipos B e C de hepatites. A ação será realizada por técnicos da coordenação estadual de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e da Fundação Santa Casa de Misericórdia, no Centro de Referência Estadual para Doenças do Fígado da instituição. A atividade será realizada no horário de 9h às 12h e finalizada no dia 27 (sexta-feira).

“Desde o mês de maio estamos organizando ações pelo Estado com o objetivo de realizar cerca de 80 mil testes. A iniciativa faz parte da campanha “Julho Amarelo”, que marca o mês de intensificação da prevenção e controle das hepatites. A ação na Santa Casa é realizada pelo quarto ano consecutivo, em alusão ao 28 de julho, Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais”, explicou a coordenadora estadual de Hepatites Virais, Cisalpina Cantão.

Em função do estímulo ao diagnóstico precoce, os casos de hepatite têm aumentado no Pará. Entre 2012 a 2018 foram 2.520 registros do tipo B e outras 1.401 ocorrências da forma C. No ano passado, foram confirmados 49 casos do tipo A; 432 do tipo B e 362 do tipo C. De 2015 a 2017, 221 pessoas morreram vítimas de insuficiência hepática causada por hepatites virais no Pará.

Um grande aparato foi organizado pela equipe da Santa Casa para a realização da ação, que inclui o trabalho dos integrantes da Sespa, técnicos da Santa Casa e estudantes universitários que estão cumprindo estágio supervisionado na Fundação, que mantém o Centro de Referência Estadual para Tratamento das Doenças do Fígado.

A campanha “Julho Amarelo” combate o sub-registro de casos e amplia o acesso à testagem e ao diagnóstico precoce, por meio do estímulo à vacinação contra o tipo B – ofertada gratuitamente pelo SUS à toda a população até 49 anos – e na ampliação da assistência e do tratamento dos tipos mais perigosos: B e C.

Por ser uma doença silenciosa, o foco tem sido a busca ativa por pessoas que não sabem que têm os vírus e precisam logo se tratar para não serem surpreendidas com as consequências de um diagnóstico tardio, como uma cirrose ou câncer de fígado, e também que não transmitam a doença a outras pessoas.

Segundo a médica hepatologista Márcia Iasi, a testagem gratuita faz parte de toda uma estratégia de busca ativa dos pacientes silenciosos de hepatites, ou seja, aqueles que não manifestaram sintomas. Independente de faixa etária, podem procurar o serviço pessoas que colocaram piercing e fizeram tatuagem, como também as que receberam transfusão de sangue antes de 1993 e profissionais de saúde.

“Neste mês uma série de movimentos contra as hepatites se faz pelo Brasil, todos os anos, mas esse ano particularmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu metas até 2030, para eliminação da Hepatite C e também reduzir o número de casos e mortalidade por ambas, B e C”, explicou Márcia Iasi.

Encerramento

E para finalizar a Campanha, no dia 28 (sábado), será realizada uma grande ação no Mercado do Ver-o-Peso, com mais testagens para os tipos B e C de hepatites e atração musical, com a cantora regional Gina Lobrista.

A hepatite é uma inflamação nas células hepáticas do fígado e pode ser ocasionada pelos vírus A, B, C ou D. Conforme a médica Márcia Iasi, não apresenta sintomas e o diagnóstico pode ser feito por meio de exames de sangue. Caso isso não ocorra, a evolução da doença é devastadora, perfazendo um quadro com hepatite aguda, crônica, cirrose hepática e tumor no fígado.

Classificada como doença crônica, a hepatite “C” é uma doença silenciosa que pode ficar no organismo até 20 anos sem se manifestar. A doença pode ser transmitida por agulhas e seringas contaminadas, ou por objetos cortantes não esterilizados. Durante a ação, será feita a testagem por meio de uma picada rápida e o resultado saia em 15 minutos.

Os casos positivos encontrados nos testes foram encaminhados para locais de tratamento que já são referência, como a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, especialista no diagnóstico e o tratamento de doenças do fígado. Além da Santa Casa, Belém dispõe de outros locais para o tratamento: Hospital Universitário João de Barros Barreto; Fundação de Hospital de Clínicas Gaspar Viana e Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe), além do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), no campus da avenida Almirante Barroso, onde funciona o curso de Medicina.

No interior do Estado, o atendimento para testagem e tratamento é disponível  no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Santarém; no CTA de Marabá; no CTA de Parauapebas; no Hospital Regional do Araguaia, em Redenção e no Hospital Regional de Tucuruí. Para todos esses locais, é essencial que o cidadão seja encaminhado pela Unidade de Saúde mais próxima de sua residência.