Após 60 anos de sua extinção na Região
Metropolitana de Belém, nasceu e já está com três meses, o primeiro filhote de
ararajuba de um casal de aves que passa por um processo de reprodução em vida
livre no Parque Estadual do Utinga. A ave, aos poucos, está se tornando
independente e já vocaliza e voa alto pelos céus da cidade, às vezes sozinha,
outras acompanhada pelos pais. O nascimento do filhote é bastante comemorado
pelos biólogos que atuam no parque, por ser um marco e um passo importante no
trabalho de reintrodução dessa espécie em Belém.
Segundo os biólogos do Instituto de
Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio) e da Fundação
Lymington, responsáveis por monitorar o desenvolvimento das ararajubas no
parque, o nascimento do filhote é um dos principais indicadores da readaptação
dessas aves ao território da cidade.
Atualmente, a ararajuba filhote continua
no ninho, nas proximidades do viveiro de reintrodução, sob os cuidados dos
pais, mas já faz voos frequentes, principalmente no final da tarde. Segundo a
gerente de Biodiversidade do Ideflor-bio, Nívia Pereira, esse resultado consolida
um dos marcos mais importantes em qualquer trabalho de reintrodução, pois
demonstra que a população é capaz de ampliar seu número e se manter na área,
compensando as eventuais perdas de indivíduos por causas naturais.
"Não houve qualquer interferência nossa
nesse processo, apenas ajudamos deixando alimentação próxima ao casal, o que
mostra que a adaptação dessas aves foi muito boa. Elas entenderam que estão num
local seguro e que podem procriar. A tendência agora é que essa população
aumente e chegue a um número que as consolide na região metropolitana.
Reproduções em cativeiro são uma vitória para qualquer processo de reintrodução
de animais", explicou Nívia.
Desde o nascimento, o pequeno filhote
passou por três meses de cuidado parental intenso até conseguir dar o seu
primeiro voo em vida livre, no início de julho. O voo foi uma surpresa e
assustou positivamente, tanto a equipe de biólogos, quanto os próprios pais. No
início desorientada, a ararajuba passou a noite fora do ninho e ainda pousou em
algumas árvores do Utinga até encontrar o caminho de volta para o ninho nas
redondezas do viveiro de aclimatação montado no parque. Para o biólogo Marcelo
Vilarta, da Fundação Lymingon, o barulho das outras ararajubas no viveiro e o
chamado dos pais foram alguns dos possíveis guias para o retorno do filhote.
O projeto “Reintrodução e Monitoramento
das Ararajubas nas Unidades de Conservação da Região Metropolitana de Belém –
Belém mais linda!”, mantido pelo Ideflor-bio e pela Fundação Lymington, já
realizou a reintrodução de dois grupos de Ararajubas no parque. A primeira
aconteceu com a chegada de um grupo de 14 indivíduos da espécie em agosto de
2017, os quais, após processo de aclimatação no viveiro, foram soltos no final
de janeiro de 2018. Os pássaros hoje voam livremente pelo parque e algumas
vezes voltam ao viveiro de aclimatação para alimentação. Os pais da pequena
ararajuba fazem parte deste grupo, que reside, atualmente, no Utinga.
O segundo grupo de ararajubas, composto
por 10 animais, chegou ao parque em maio de 2018 e aguarda a soltura, planejada
para a segunda quinzena de agosto deste ano. As aves reintroduzidas no Utinga
são oriundas de um criadouro conservacionista, a Fundação Lymington, sediada em
Juquitiba/São Paulo, e o período de aclimatação no parque serve para ensiná-las
a viver livremente, reconhecer frutas e alimentos silvestres e desenvolver
comportamentos adequados à vida silvestre.
As ararajubas são aves nativas e
endêmicas da região amazônica, ou seja, ocorrem exclusivamente nessa região. A
espécie foi candidata à ave símbolo do Brasil por conta de sua coloração verde
e amarela e, atualmente, integra as listas nacionais e estaduais de espécies
ameaçadas de extinção, já sendo considerada extinta localmente na Região
Metropolitana de Belém.
“Aproveitamos este momento para pedir
que a população também nos ajude nesse processo de reintrodução. Do primeiro
grupo solto, várias aves estão vivendo na cidade de Belém, e já foram vistas em
vários locais, como por exemplo, a área de mata da Marinha e também próximo ao
cemitério Santa Izabel, por isso, pedimos que as pessoas não tentem capturá-las
ou alimentá-las. É importante para o sucesso desse processo que elas vivam
livres", complementou a bióloga.
