Clássico “Blade Runner” guia primeiro debate de clube do filme que busca refletir sobre a sociedade




Há todo tipo de clube do filme. Tem quem junte os amigos em casa para um blockbuster hollywoodiano, há quem prefira um cinema de rua só de filmes franceses e, com a internet, há até clubes do filme unicamente virtuais, com fóruns e grupos no WhatsApp. Mas o Dr. Victor Sales Pinheiro, professor de filosofia, queria algo maior: uma tela de cinema em uma sala fechada para participantes do evento “Filosofia e cinema”, que terá sua primeira sessão neste sábado, dia 18. “Vamos ver um filme de 37 anos atrás numa telona de cinema, em alta resolução. Geralmente só temos chance de ver filmes antigos na TV ou no computador. Faz toda a diferença”, avalia ele.

O filme em questão é “Blade Runner – Caçador de Androides”, de 1982. Nele, o diretor Ridley Scott imagina um futuro distópico em que a força de trabalho é formada por androides com quatro anos de vida útil e que depois são descartados pelo mercado de trabalho, cada dia mais robotizado. “É um romance policial que mostra um futuro fúnebre causado pelo poder da tecnologia. E esse futuro chegou”, destaca o professor ao frisar que o filme se passa, justamente, em 2019. “Com esse pano de fundo, há uma discussão filosófica sobre a natureza humana. Eles se perguntam se o sentido da vida é só trabalhar, se aposentar e morrer. Servir como engrenagem da sociedade. Refletem sobre consciência da finitude, com alegorias cristãs e referências bíblicas”, afirma Sales sobre a obra inspirada no livro “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, de Phillip K. Dick. Há também ainda espaço para o romance, vivido pelo protagonista interpretado por Harrisson Ford, que é um exterminador de androides e se apaixona por uma dessas máquinas.

Victor crê que o cinema pode aproximar a filosofia do grande público por ter uma linguagem mais curta e mais acessível. “A literatura exige um tempo muito maior de leitura e assimilação. Quando trabalho com obras grandes, percebo que muitos não leem porque, infelizmente, esse hábito está em desuso. O cinema é mais imediato”, conta o professor, que já está acostumado a usar filmes para ilustrar suas aulas de filosofia. “Desde Platão os filósofos se voltam às representações poéticas para extrair delas questões existenciais e estéticas”, lembra.



Serviço:

Filosofia e Cinema: Blade Runner – Caçador de Androides (1982)

Castanheira Shopping (BR-316), sala de cinema 04

Dia 18 de maio, sábado, às 10h

Ingresso: $50, na hora da sessão