Engana-se quem pensa que violência
contra a mulher é só quando há agressão física. Antes do crime, é possível que
a vítima tenha sofrido um dos quatro tipos de coerção. A psicológica, a moral,
a sexual ou a patrimonial. Para todos os casos, o amparo psicológico é um dos
pilares essenciais para o suporte da saúde mental e o restabelecimento das
vítimas.
Existem alguns indícios que sinalizam
quando algo pode estar acontecendo com essa mulher. De acordo com a
coordenadora do curso de psicologia da UNAMA - Universidade da Amazônia Parque
Shopping, Michele Melo, ficar calada ou deixar de expressar as próprias emoções
é uma delas. "Em alguns casos, em seu convívio social, elas mantêm um
maior distanciamento e isolamento e evitam interagir com outras pessoas, quase
sempre para não revelar seu sofrimento e receber críticas ou julgamentos. Pode
revelar indiferença com sua aparência e desânimo para arrumar-se. No trabalho
não é diferente. Tende a ausentar-se com maior frequência, por não haver
vontade de fazer atividades que exijam concentração e maior empenho",
disse a professora.
Decidir o que vestir, restringir o que
pode ou não fazer - o que inclui trabalho ou lazer - denegrir a imagem,
manipular os encontros de familiares e/ou amigos, chantagear e controlar o
dinheiro ou bens familiares. Esses são alguns dos tipos de violência que tira a
independência e liberdade da mulher. Boa parte das vítimas não sabem que estão
sendo coagidas e desconhecem os graus de abusividade do relacionamento.
O meio familiar e os amigos podem ser
esse elo que ajudam a identificar uma possível abusividade. "O suporte às
vítimas pode acontecer de diversas formas. É extremamente importante o apoio
psicossocial e afetivo das pessoas próximas a essa mulher e que não compactuam
com o silêncio às agressões por ela sofridas. Existe uma rede de apoio -
público e privado - que vai dar para essa mulher informações que garantam
assistência social, jurídica, de segurança pública e saúde", lembra a
gestora.
A psicologia entra como um papel
fundamental no atendimento a essas mulheres. "O acompanhamento psicológico
poderá facilitar o desenvolvimento da consciência da autoestima e segurança
dessa mulher. Os atendimentos podem ser individualizados ou em grupos, já que
estimulam o reconhecimento e identificação grupal. O psicólogo é quem vai
orientar para que estas compreendam, saibam identificar as violências e tenham
caminhos para saber enfrentar - de forma mais segura - na preservação de seus
direitos fundamentais e da saúde mental, essencial para seguir suas
vidas", reforça.
Atendimento à comunidade
A UNAMA possui uma clínica que presta
atendimentos à comunidade por meio do plantão psicológico. O serviço é
gratuito, com direito a duas sessões para o auxílio rápido à vítima.
Paralelamente, como parte do projeto de extensão do curso de psicologia, há
ainda um grupo de estudo de amparo a mulheres que sofreram algum tipo de
agressão. O núcleo existe desde 2018. O grupo já ajudou mais de 100 mulheres,
com atendimentos focado na escuta, aconselhamento e valorização da mulher.

