Um projeto de elaboração de um
documentário sobre escalpelamento - quando ocorre o arrancamento do couro
cabeludo de maneira brusca - desenvolvido por um grupo de profissionais
santarenos, está entre os contemplados no Edital de Audiovisual da Lei Aldir
Blanc de Emergência cultural do Pará.
“A ideia é produzir um etnodocumentário sobre o acidente do escalpelamento que ocorre quando a vítima tem o couro cabeludo arrancado pelos eixos de motores descobertos de embarcações. Este tipo de acidente é comum em nossa região, com um alto índice de notificações, e atinge principalmente mulheres e crianças que moram na beira de rios”, afirma Anna Karla.
O documentário foi proposto a partir de uma pesquisa de doutorado, realizada pelo pesquisador, antropólogo e doutorando em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Diego Alano Pinheiro, que será responsável pelo roteiro do audiovisual.
“Estima-se que mais de 3 mil mulheres já sofreram o acidente do escalpelamento, mas pode haver casos subnotificados. É um acidente cruel que altera drasticamente a vida das vítimas, que sofrem estigmas nas escolas e consequentemente abandonam os seus estudos, isolando-se em casa. Nosso objetivo é contribuir com uma produção de etnodocumentário na Amazônia com um tema de saúde pública emergente”, afirma Diego.
O documentário deverá ter duração de aproximadamente 45 minutos, contemplando as trajetórias das vítimas, as políticas públicas produzidas e as perspectivas dos ribeirinhos e do Estado.
A produção seguirá todos os protocolos sanitários e de biossegurança recomendados pelas autoridades de saúde.
Lei Aldir Blanc
A Lei Aldir Blanc de emergência cultural
do Pará é uma Lei Federal nº. 14.017 foi criada em 29 de junho de 2020 para
promover ações efetivas destinadas à manutenção e sobrevivência das atividades
culturais, e assim garantir renda emergencial aos trabalhadores e trabalhadoras
da área, a sustentação de espaços culturais, alimentando essa cadeia produtiva
em todo o país.

