Encontro debate o futuro da moda feita da Amazônia

  

Live "O futuro é ancestral", neste sábado, 12, 

Os povos da Amazônia também fazem moda. Agênero, ativista e minimalista, o design criado por Sioduhi, da etnia Piratapuya, do Alto Rio Negro, revela o futurismo indígena. “É preciso descolonizar a moda”, defende o jovem estilista, que há pouco mais de um ano fundou a própria marca, que traz no nome a sua ancestralidade. Piratapuya é convidado, neste sábado (12), do projeto “O futuro é coletivo”, que debate sustentabilidade e empreendedorismo, com programação gratuita durante o mês de celebração do Dia do Meio Ambiente.

 A live, que começa às 11h, reúne Tainah Fagundes, diretora da Da Tribu, marca paraense de biojoias, e Sioduhi, jovem empreendedor e estudante de Modelagem de Vestuário. “Para honrar a ancestralidade dos saberes da Amazônia e dar lugar de fala aos povos originários, convidamos Sioduhi. A moda do futuro volta às nossas origens, é reconhecer os saberes, as técnicas e os povos originários, que são repletos de tecnologias sociais. Como a gente trabalha com esse saber ancestral indígena, nosso debate vai falar sobre descolonização e falar que essa moda é de identidade, de pertencimento e que é isso é a moda que a Amazônia tem para mostrar, algo muito forte, que não é pelo viés estereotipado, mas valorizando e contribuindo para o desenvolvimento local desses povos”, diz Tainah.

 Atualmente residindo em São Paulo, Sioduhi nasceu na comunidade indígena de São Francisco de Sales (Mariwá), localizado no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. A marca Piratapuya surge em meados de 2020, a partir do questionamento acerca do apagamento histórico dos povos indígenas do Pindorama, desvalorização da beleza originária e escassez do protagonismo dessas comunidades. 

“Apesar da marca carregar o nome de um povo, ela objetiva alcançar todos indígenas e não indígenas, e tem a filosofia principal, o respeito à dignidade e à vida de toda pessoa. A ideia é falar da presença indígena nos centros urbanos e nas aldeias, destacar que a identidade indígena é imutável, independente do lugar ou do cenário”, destaca. 

'Somos protagonistas' 

Sioduhi defende que é preciso descolonizar a moda, subverter sua lógica enquanto mercado. “Descolonizar a moda no sentido de mudança estrutural: questionar dentro da indústria da moda quantos profissionais indígenas estão incluídos, saber que nós somos os protagonistas e podemos atuar nas diferentes áreas que a moda nos propõe”, diz. 

Ele conta que traz consigo um traço da sua cultura ancestral: a coletividade. “A marca fala sobre o Alto Rio Negro, que tem uma singularidade muito grande como forma de organização: a gente compartilha as experiências de cultura, cerimônias e alimentação, e até de língua. É um senso de coletividade muito grande entre as etnias. Nesse sentido, a valorização da ancestralidade vem por meio de mim mesmo, que sou Piratapuya, crio, falo e trago essas informações nas coleções. Enquanto criativo e empreendedor, também dou consultoria para jovens indígenas que querem empreender na moda ou em outras áreas. Tem sido gratificante ver novas gerações indígenas se fortalecendo e se inspirando”, relata.

 Estudando e morando em São Paulo, Sioduhi conta que sua atuação também é imbuída de ativismo político. “Há o desafio de falar da Amazônia, que é algo ainda muito novo neste meio. Estamos hoje em São Paulo, no sudeste do país, e há muita falta de informação sobre Amazônia e seus povos indígenas. Então o projeto também é uma força de luta indígena, pela demarcação e manutenção das terras e denúncia de genocídio contínuo que acontece até os dias de hoje, essa seria a mensagem que a marca traz consigo”.

 O futuro é coletivo

 O projeto "O futuro é coletivo" traz ao público uma exposição virtual e uma série de encontros para debater moda e sustentabilidade. A história da comunidade Pedra Branca, da ilha de Cotijuba, em Belém, é o fio condutor do projeto.

 Além de fotografias de João Urubu , Kleyton Silva e Luiza Chedieck, a mostra traz vídeos e textos que contam, em três alas de exposição montadas em ambiente 3D criado pelo artista visual Lucas Mariano, a história de um grupo de mulheres e suas famílias, que tiram da floresta seu sustento a partir do seringal. Com o látex, são produzidos os fios emborrachados e o TEA (tecidos sustentáveis da Amazônia), materiais usados para a criação das joias orgânicas.

 Premiado pelo Edital de Credenciamento Aldir Blanc do Sesc Pará, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PA), "O futuro é coletivo" celebra a construção de relações mais justas e éticas no mercado da moda. "A gente acredita que é possível uma relação direta, humana, de uma cadeia horizontal. Queremos mostrar que existem populações dedicadas a esse processo, que é um conhecimento ancestral indígena. Hoje, essas comunidades são guardiãs da floresta, desses saberes, dentro dessa valorização do conceito da floresta em pé", diz Tainah Fagundes, mediadora da série de bate-papos realizados até 26 de junho.

 Serviço 

Live “O Futuro é ancestral”, com Sioduhi, da marca Piratapuya, às 11h, via redes sociais (www.facebook.com/datribuacessorios). Exposição “O futuro é coletivo”, no site da marca (https://datribu.com).