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| Urologista oncológico Frederico Andrade |
De acordo com as estimativas da IARC,
agência internacional de pesquisa sobre câncer, a incidência mundial de câncer
renal teve um aumento de 22% na última década. As razões para esse aumento
significativo, que segue uma tendência de alta iniciada ainda na década de
1990, não estão totalmente esclarecidas, mas a utilização cada vez mais
frequente de exames de imagem como tomografia computadorizada é, sem dúvida,
segundo a IARC, uma das razões. Atualmente, exames modernos detectam alguns
tipos de câncer que antes não seriam diagnosticados.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer
(Inca), a incidência de câncer renal no Brasil é de 7 a 10 casos para cada 100
mil habitantes. Em 2019, no Brasil, foram registrados 6.500 novos casos, com
3.400 mortes decorrentes da doença (dados mais recentes).
Mas, apesar do aumento do número de
casos, os diagnósticos de tumores urológicos (rins, bexiga e próstata) caíram,
em média, 26% no período da pandemia da covid-19 em 2020, em comparação com
igual período de 2019. São informações de uma pesquisa encabeçada pela
Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP), em parceria com
instituições de saúde paulistas responsáveis pelo atendimento de pacientes pelo
Sistema Único de Saúde (SUS).
Junho Verde - Junho é o mês dedicado à
conscientização sobre o câncer de rim. O dia 18 de junho foi escolhido como o
Dia Mundial do Câncer de Rim. Grupos de pacientes se organizaram, em vários
países, e formaram uma rede global independente – o International Kidney Cancer
Coalition (IKCC) – para potencializar a difusão de informações sobre a doença.
O objetivo é Incentivar pacientes,
cuidadores, familiares, amigos e profissionais da saúde a promover
conhecimento, como uma das formas mais eficazes de diminuir as taxas alarmantes
do câncer renal. Esse tipo de tumor é o 12º mais comum, responsável por cerca
de 3% dos casos de câncer no mundo. Apesar da baixa incidência, o índice de
mortalidade é alto, cerca de metade dos pacientes.
Pessoas com histórico de doença renal na
família, hipertensos, pessoas com sobrepeso e fumantes são considerados grupo
de risco para o desenvolvimento de algum tipo de câncer nos rins. Acredita-se
que é pelo fato de haver um número maior de homens com esse perfil de risco que
o câncer de rim é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres, com
uma incidência maior na faixa etária de 50 a 70 anos.
O diagnóstico precoce é uma arma
poderosa no combate ao câncer renal. As chances de cura, quando a doença é
descoberta no início, podem chegar a 98%. O diagnóstico tardio, com a doença em
estágio avançado ou metastático dificulta o controle da doença e afeta o
resultado do tratamento. E, infelizmente, mais de 90% dos diagnósticos no
Brasil são feitos nesse estágio.
Por ser considerada uma doença
silenciosa, que não costuma apresentar sintomas em suas fases iniciais, a
maioria dos casos é descoberta no que os médicos chamam de diagnóstico
incidental, quando exames para outras finalidades apontam as alterações nos
rins.
É fundamental estar atento a qualquer
sinal atípico, como perda de peso repentina, febre intermitente, fadiga
constante, dor abdominal ou lombar e presença de sangue na urina. Quando houver
desconfiança de que algo está errado, a pessoa deve procurar um médico e
investigar o problema.
Foi o que aconteceu com o supervisor de
vendas Marcos Alexandre Salgado, que foi surpreendido com o diagnóstico de
câncer de rim. Em setembro de 2019, ele percebeu que havia sangue na urina.
Procurou logo um médico e fez exames. A tomografia mostrou um tumor de 16 cm.
Em novembro do ano passado, Marcos foi operado para a retirada do rim esquerdo.
Como o câncer foi descoberto em um
estágio avançado, fez exames para detectar se houve metástase: tomografias no
cérebro e no abdômen, além de cintilografia para verificar um eventual comprometimento
ósseo. Descobriu-se que foi para o pulmão que as células cancerígenas migraram,
formando vários nódulos pequenos.
Em março de 2020, Marcos começou o
tratamento com imunoterapia. “Descobrir o câncer desse jeito, por acaso, foi um
susto, mas estou bem. Não deixo a doença me abalar”, garante Marcos.

