O número de matrículas em cursos superiores presenciais e de ensino a distância (EAD), nas redes privada e pública, cresceu 1,8% em 2019, de acordo com dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2021, divulgado hoje (8) pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil.
O crescimento total das matrículas na rede privada para cursos presenciais e EAD foi de 2,4%, enquanto na rede pública foi de 1,5%.
"Chama a atenção que, apesar de termos crescido nesses últimos anos, a taxa de escolarização líquida, que mede o percentual de jovens de 18 a 24 anos que estão no ensino superior, na faixa etária adequada, não cresce. Em 2018, esse número era de 17,9%, ou seja de toda essa população, só esses estavam matriculados no ensino superior. Em 2019, eram 18,1%; em 2020, 18%; e 2021 a estimativa é de 17,8%", disse o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.
Quando se consideram apenas os cursos
presenciais da rede privada, em 2021 a previsão é de queda de 8,9% no número de
matrículas. Para os cursos EAD, na mesma rede e período, a estimativa de
crescimento é de 9,8%. "Mas, mesmo no EAD, o crescimento que vinha
ocorrendo antes da pandemia também diminuiu. Temos impacto da pandemia tanto no
presencial quanto no EAD", afirmou o diretor.
Já no presencial, o perfil é de alunos
mais novos, com até 29 anos, que saíram do ensino médio e que querem ter
contato com os professores, com os alunos, e não conseguem se concentrar
sozinhos, estudando no tempo deles, por isso escolhem o modelo síncrono.
Financiamento
De acordo com Capelato, para alterar
essa realidade, é preciso criar políticas públicas de inclusão. Os dados no
mapa mostram que, em 2019, a taxa de evasão de alunos que não são contemplados
pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ou programa Universidade para
Todos (Prouni) foi de 26,2%.
Os dados indicam ainda que, em 2021,
foram ofertadas 40 mil vagas com Fies por 892 instituições mantenedoras e 1,5
mil mantidas, sendo que foram ocupadas, até maio, 22 mil dessas ofertas. Para
as bolsas do Prouni, em 2020, foram 237 mil parciais e 183 integrais. De 2009 a
2019, a ociosidade nesse tipo de bolsa chegou a 34,4%, de acordo com o mapa
divulgado pelo Semesp.
Para avaliar o potencial de crescimento do ensino superior, a 11ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil traz um estudo sobre o ensino médio no país. A conclusão foi que o número de alunos matriculados nas 29 mil escolas que oferecem ensino médio regular chegou a 7,55 milhões em 2020, dos quais 87,7% estudam em escola pública.
Apesar de ter ocorrido um crescimento de 1,1% no último ano, o total de estudantes caiu 10,1% em comparação a 2011. Os dados apontam que 39,2% dos alunos do ensino médio estão matriculados na primeira série dessa etapa escolar.
Além disso, o país também conta com 1,94 milhão de pessoas matriculadas na educação profissional e 3 milhões na educação de jovens e adultos (EJA).
O levantamento mostra ainda que 97,5% da população com ensino médio no país têm renda domiciliar per capita de até três salários mínimos; 19,3% da população com ensino médio têm até 24 anos; 36,7% da população com ensino médio têm idade entre 25 e 39 anos.
Em 2020, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, 7,5% dos estudantes trabalharam ou estagiaram durante pelo menos uma hora em alguma atividade remunerada na semana de referência. O percentual caiu 7,1 pontos percentuais, quando comparado a 2016, por exemplo. Em números absolutos, aproximadamente 648 mil alunos trabalhavam ou faziam estágio em 2020, valor 41,6% menor que no ano anterior.

