Pelo segundo ano consecutivo não teremos
as grandes festas juninas do Brasil, incluindo os festejos típicos de cidades
do nordeste, como Caruaru, no Agreste de Pernambuco,e os famosos terreiros
juninos, aqui no estado do Pará. Mas, muitos estabelecimentos e famílias
encontram formas para comemorar, com segurança, e manter a tradição do São João
viva.
O Shopping Bosque Grão-Pará montou uma
programação variada, durante todo o dia, para evitar que o público se concentre
em um só horário.A programação inclui, além de barracas de comida típica e
apresentações culturais no horário do funcionamento do Shopping, uma exposição
de danças folclóricas paraenses que fará o visitante viajar pela cultura de
nossos municípios. A exposição terá os mistérios e segredos do Carimbó,
Marujada, Lundu Marajoara, Xote Bragantino, Siriá e Dança do Maçariquinho.
O gerente do Shopping, João Vyctor
Fonseca, fala da importância de se celebrar a tradição junina do Norte, mesmo
durante a pandemia, mantendo todos os protocolos de segurança. “As danças que
serão expostas aqui no Shopping fazem parte da cultura e da tradição nortista.
Optamos por exaltar neste São João as danças de origem indígenas e quilombolas
que representam nossa identidade paraense. É muito importante que mantenhamos
essa cultura viva, o que vai ficar é a nossa experiência em nos adaptar sem
abrir mão das nossas tradições."
O carimbó, uma das danças mais famosas
da região, teve origem no século XVII. É uma manifestação tipicamente indígena
e seu nome é em homenagem ao instrumento musical curimbó, tambor artesanal
utilizado em apresentações artísticas e religiosas.
Além desses dois gigantes da cultura
paraense, ainda compõem a exposição o Lundu Marajoara, que por muito tempo foi
censurado pela Igreja católica, por ser considerado profano; o Siriá, que é
considerado uma das danças mais sensuais da região, e usada como sedução, pelos
indígenas.
Já o XoteBragantino, de origem húngara,
é completamente adapta a novos manejos coreográficos tipicamente regionais; e a
dança do Maçariquinho, de origem cametaense, que simula os movimentos da ave
Maçarico no momento da captura do peixe. Todas carregadas de lutas e histórias
que fazem da cultura paraense e nortista tão rica e simbólica, em especial
nesta época do ano.
Mas diante de um cenário de incertezas e
até mesmo medo, como encontrar motivos para manter viva a tradição, se alegrar
e comemorar o São João?O psicólogo Marcelo Moreira, professor da Estácio,
explica que o ser humano é umser social por natureza. Por isso registramos, na
história da humanidade, a formação de grupos, comunidades e sociedades para
assegurar nossa sobrevivência e melhor adaptação ao meio. É dessa forma que se
constroem as relações, laços afetivos e comunicações importantes, a partir de
várias atividades.
“No Brasil, durante as tradicionais
festas juninas, de Norte a Sul, participamos empolgados desses momentos de
confraternização em meio às danças, comidas, apresentações artísticas e muitos
encontros afetivos no mês de junho.Isso é fundamental para mantermos nossa
saúde mental ativa e equilibrada. Mesmo em tempos pandêmicos, ainda precisamos
manter os contatos e as tradicionais festas, ainda que adaptadas às normas
sanitárias”, explica o professor Marcelo Moreira.
Serviço:
São João no Bosque, até 30 de junho
Funcionamento das barracas de comidas
típicas: segunda a sábado de 10 às 22h. Domingos de 12 às 22h.
Apresentação de danças no sábado e
domingo às 18h.
Apresentação musical: segunda a sexta às 18h e aos sábados e domingos em dois horários: às 12 e às 18h.


