Entidades médicas de
diferentes países celebram hoje (22) o Dia Mundial do Cérebro. Para marcar a
data, a Federação Mundial de Neurologia destacou como tema a enxaqueca, que
acomete uma em cada sete pessoas em todo o mundo.
A enxaqueca é
classificada como um distúrbio neurológico comum e tem como sintomas cefaleia
(dor de cabeça), náuseas (enjoo), vômito, tonturas, formigamento e dormência do
corpo e as chamadas "auras", que se manifestam antes ou durante as
crises, na forma de pontos luminosos, escuros ou linhas em ziguezague. O quadro
também pode abranger sensibilidade a cheiros, à luz ou ao sons, ou seja, o
paciente sente uma piora ao ser exposto a determinados odores, a lugares muito
claros ou com muito barulho.
Se não tratada
adequadamente, a enxaqueca pode se tornar uma doença incapacitante, que pode
impedir o paciente de realizar suas tarefas cotidianas. De acordo com a
neurologia Márcia Silva Neiva, do Hospital Brasília, isso pode ocorrer tanto
quando a crise é aguda como em casos crônicos.
Medicamentos
A enxaqueca acomete uma
em cada sete pessoas em todo o mundo - Arquivo/Agência Brasil
Nas duas situações,
pode haver prejuízo das atividades profissionais, de lazer ou sociais. A
neurologista comenta que a dificuldade em cumprir deveres ou comparecer a
compromissos que dão prazer, como encontros com amigos, acaba afetando o humor
do paciente, principalmente se o caso for crônico. "Esse paciente está
praticamente acostumado, mas não rende o que renderia se não estivesse com dor.
Vive com dor e acaba não participando tanto das atividades, porque a dor o
incapacita", acrescenta.
Segundo a médica, a
principal queixa que aparece em seu consultório é a cefaleia. Embora a
enxaqueca possa controlar o dia a dia de uma pessoa, se não houver tratamento,
o diagnóstico é muito simples. Em geral, basta uma consulta.
"O diagnóstico é
puramente clínico, ou seja, de acordo com a identificação dos sintomas, aliada
a um exame físico e um exame neurológico normal, é que damos um diagnóstico de
enxaqueca. Os exames de imagem, como uma tomografia, uma ressonância, são
necessários quando o médico quer excluir outras causas que podem mimetizar uma
enxaqueca. Mas, para a enxaqueca pura, eu não preciso de nenhum exame de
imagem. Basta conversar com o paciente, colher uma historia detalhada e fazer
um exame físico detalhado. Mais de 90% das dores de cabeça são primárias, que
são a enxaqueca e a dor de cabeça tensional. Somente 10% delas é que vão
demandar algum exame de imagem, quando se suspeita de algo mais grave. A rigor,
um exame físico bem feito e uma histórica clínica bem colhida já dão o
diagnóstico", diz Márcia.
Recomendações
Para os pacientes com
enxaqueca, as recomendações são de manter uma boa rotina de sono, que reponha,
de fato, as energias; alimentação saudável, sem excessos de gordura e cafeína;
e praticar regularmente exercícios físicos. Deve-se, ainda, evitar o uso
excessivo de analgésicos (medicamentos prescritos para aliviar a dor), que
podem acabar sendo um gatilho de crises. Conforme a Márcia, isso se explica porque
há uma sobrecarga do organismo.
"Tem que tomar
muito cuidado com os analgésicos, porque, às vezes, o paciente tem uma
enxaqueca que não seria de difícil controle, mas começa a se automedicar e toma
vários comprimidos durante a semana, para controlar uma dor de cabeça, que ele
acha que é normal, e pode causar outra por uso excessivo de analgésicos. O
paciente chega nesse ponto - e a maioria que nos procura já está assim - e,
geralmente, é um pouquinho mais complicado [tratá-lo]. Quando se toma mais de
dois analgésicos por semana, já há um excesso. Esse limiar é muito
pequeno", enfatiza a neurologista.

