Segundo alerta da Organização Mundial de
Saúde (OMS), profissionais de saúde estão na linha de frente da resposta à
pandemia de covid-19, expostos a grandes riscos de contaminação que incluem a
exposição direta a patógenos. Com a progressão da doença e o consequente
aumento da demanda por estes profissionais, a comunidade acadêmica da Universidade
do Estado do Pará (Uepa) se mobilizou para realizar mais uma ação de combate ao
novo coronavírus: produzir, em larga escala, protetores faciais com viseiras de
acetato transparente, conhecidos como máscaras Face Shield, que serão
distribuídas aos profissionais da área de saúde ligados à Secretaria de Estado
de Saúde Pública (Sespa), atuantes em todo o Pará.
O projeto é uma iniciativa da Rede de
Incubadoras de Tecnologia (RITU) e dos cursos de bacharelado em Design e
Engenharia de Produção, por meio do professor Rodrigo Rangel. São utilizadas a
estrutura da Universidade e equipamentos para modelagem digital e impressoras
3D para a construção das estruturas das máscaras. Há, ainda, uma parceria com a
Gráfica Sagrada Família, para o corte das folhas de acetato, transformado-as em
viseiras; e o Redes/Fiepa e a Federação das Indústrias do Estado do Pará
(Fiepa), que auxilia na divulgação da iniciativa e na busca por novos
parceiros.
As máscaras Face Shield produzidas pela
Uepa são compostas basicamente por três componentes:
1- Suportes, modelados pelos professores
Alacy Rodrigues e Vinicius Lira, do Departamento de Desenho Industrial (DIND),
produzidos em quatro impressoras 3D;
2- Viseiras, obtidas a partir de folhas
de acetato;
3- Elásticos do tipo Aurata com furos,
cortados e finalizados pela própria equipe de professores envolvidos, que
também atuam na montagem das máscaras. Para a impressão dos suportes são
utilizados filamentos de Polietileno Tereftalato de Etileno Glicol (PETG), de
175 mm; para as viseiras são empregadas folhas de acetato de 1620 mm x 620 mm x
0,25 mm (L x A x E) e para os elásticos, elástico tipo Aurata com furos de 18
mm.
Para Alacy Rodrigues, pesquisador em
Design, a principal relevância da iniciativa é proteger profissionais de saúde
e evitar óbitos causados pelo novo coronavírus. "Nesse momento é muito
importante tomar decisões que possam contribuir de alguma forma para prevenir o
avanço dessa pandemia. O principal objetivo é salvar vidas. É um momento de
união de forças em atividades colaborativas. A escassez de oferta desses
equipamentos fizeram com que uma equipe de colaboradores tomassem a iniciativa
de usar a tecnologia digital de modelagem e impressora 3D para produção desses
protetores a serem doados aos profissionais de saúde", ponderou.
A produção é feita de forma colaborativa
e vem sendo planejada há pelo menos três semanas, a partir de reuniões entre
Coordenação da RITU, direção do CCNT e Pró-Reitoria de Gestão e Planejamento
(Progesp) da Uepa, quando o desafio da fabricação, a princípio, contava apenas
com uma impressora 3D. A partir de esforços conjuntos com a Reitoria da
Universidade foi possível adquirir mais insumos, necessários à montagem de mil
máscaras Face Shield, além da aquisição de mais três impressoras 3D. Deste
ponto, iniciou-se um planejamento de elaboração e desenvolvimento de um
protótipo que fosse viável de ser produzido, considerando tempo e custos de
realização, bem como a qualidade e ergonomia do produto.
A geração dos suportes teve início
efetivo neste mês e a projeção é que ainda esta semana dezenas de máscaras
fiquem prontas para serem doadas à Sespa. Segundo o coordenador da RITU, André
Melo, a meta é a produção em larga escala, para auxílio no atendimento
crescente de demandas dos profissionais da saúde por Equipamentos de Proteção
Individual (EPI).
"Estimamos produzir de 150 a 200
máscaras por semana. Atualmente, com a elevada demanda e baixa oferta por esse
tipo de Equipamento de Proteção Individual, dada ainda a sua eficácia em termos
redução dos riscos de contágio, a relevância dessa iniciativa deve ser avaliada
em função da potencial redução de faltas e baixas por parte dos profissionais
de saúde e, por isso, manutenção da capacidade máxima de atendimento à parte da
população contagiada pelo vírus, com consequente redução de óbitos",
avaliou.
Além das Face Shields, o coordenador da
RITU adiantou que há outras ações de enfrentamento ao coronavírus, como a
geração de suportes ergonômicos para utilização em máscaras de tecido, e a
formação de kits para montagem de respiradores do Breath4Life Project, projeto
colaborativo para criação de ventilador mecânico de baixo custo e fácil
replicação em impressão 3D pura ou híbrida com peças usinadas, para auxílio no
transporte intra e extra hospitalar e uso em beira-leito de paciente no
enfrentamento à pandemia.
A prioridade, porém, é a produção de
máscaras, pela infraestrutura atual disponível. "A única maneira de
conseguirmos produzir mais itens, contribuindo ainda mais para a sociedade,
seria agregar mais parceiros dispostos a doar equipamentos (impressoras 3D) e
demais materiais de consumo necessários para a confecção dos outros itens, como
rolos de filamentos PETG ou ABS", acrescentou André Melo.
As parcerias podem ser efetuadas via
fornecimento dos insumos necessários (folhas de acetato de 0,25 mm a 0,50 mm de
espessura, carretéis de filamentos de ABS ou PETG, colas tipo bastão e elástico
tipo Aurata com furos de 18 mm ou superior de espessura).

