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Seja para um descanso após as refeições
ou no final do dia, a rede é um dos itens quase que obrigatórios na casa do
paraense. Essa relação cultural é também carregada de benefícios à saúde e
agora faz parte da linha de recursos terapêuticos ofertados pela Fundação
Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC) para a recuperação de bebês
diagnosticados com doenças no coração.
A técnica, conhecida como método
"hammock", vai além de um acolhimento humanizado e aconchegante para
o recém-nascido, tendo como principal benefício a estimulação multissensorial e
o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê em tratamento na Unidade de Terapia
Intensiva Neonatal.
"Em um ambiente hospitalar,
especialmente em uma UTI, a luminosidade, o barulho e outros estímulos podem
atrapalhar o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. A rede é um recurso que
ajuda nesse desenvolvimento, favorecendo o equilíbrio no balanço, o alinhamento
postural em uma posição semelhante ao intrauterino, além de melhorar as funções
respiratórias, com a redução do gasto energético causado pelo estresse e o
excesso de estímulos", explica Paulo Douglas Andrade, fisioterapeuta no
Hospital de Clínicas.
Antônio Neto nasceu no Hospital de
Clínicas e logo precisou passar por uma cirurgia de correção da má-formação no
coração. Depois de mês, ele se prepara para voltar para o município de
Santarém, na região oeste do estado, onde mora a família.
Foi durante esse período de recuperação,
Antônio teve o primeiro contato com a rede e o resultado foi uma surpresa para
a mãe, Ana Roberta Magalhães, e para o pai, Elinelso Silva. "Quando
chegamos para a visita e encontramos ele dormindo na rede, foi uma surpresa e
um momento especial. Depois, a equipe explicou os benefícios para o
desenvolvimento dele e como podemos continuar usando a rede em casa, o que é
bom para nós porque já é costume na nossa família", contou Elinelso.
Projeto tem rede criada por técnica de
enfermagem do HC
Referência em cardiologia adulta e
pediátrica no Pará, o Hospital de Clínicas conta atualmente com 10 leitos de
terapia intensiva neonatal. No primeiro semestre deste ano, 89 bebês nascidos
no HC ou transferidos de outras instituições, precisaram de cuidados intensivos
na UTI Neonatal e a linha de tratamento é feita de acordo com a necessidade de
cada bebê, de uma avaliação multiprofissional e das condições clínicas dos
recém-nascidos.
O método hammock já é bastante utilizado
em unidades de terapia intensiva, sendo inclusive tema de estudos científicos.
No Hospital de Clínicas, a adoção da técnica terá agora mais praticidade, já
que um novo modelo de rede foi criado para substituir os protótipos anteriores
feitos de forma improvisada com lençóis entrelaçados.
O novo modelo foi feito sob medida a
partir das necessidades da equipe assistencial. O trabalho de costura foi da
técnica de enfermagem Graça Sena e será o ponto de partida para uma produção
padronizada pelo Hospital.
"Já estamos construindo um projeto
para a produção deste modelo de rede e de um outro adaptado à incubadora, para
isso precisamos estabelecer parâmetros para a adoção da técnica, controle de
infecção, lavagem após o uso, entre outros cuidados importantes", explica
Paulo Douglas.
Ivete Vaz, diretora-presidente do HC
ressaltou que o projeto para produção de novas redes reforça o compromisso da
Fundação com a entrega de um atendimento humanizado e a dedicação dos
profissionais com este objetivo. "Esse é o tipo de projeto que revela um
cuidado que vai além da alta tecnologia. Por isso temos orgulho do esforço para
a criação, a adaptação e pelos resultados que poderemos alcançar no atendimento
aos pacientes, acompanhantes e na satisfação das equipes envolvidas",
pontua a gestora.
Presente no retorno
O retorno de Antônio para Santarém ainda
não tem data definida, mas um item terá lugar especial na mala: a rede
utilizada por ele nos últimos dias, um presente da equipe da UTI Neonatal e
motivo de agradecimento da mãe, Ana Roberta. Para ela, a rede passar a ser
vista de outra forma pela família.
"Eu tenho muita gratidão pelo
cuidado que recebemos desde a chegada até a saída. Vendo o tratamento com meu
filho e todos os outros, me senti acolhida e essa rede representa um pouco
desse carinho. Certamente, o Antônio terá outras redes, mas essa vai fazer
parte das histórias que vamos contar para ele", destacou Ana Roberta.