Mestres e mestras do carimbó compõem a primeira comunidade a participar da campanha Conectando Patrimônios: redes de artes e sabores, lançada no Pará nesta quarta-feira, 24 de fevereiro. Realizada a partir da parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e comunidades detentoras, a campanha visa à promoção do Patrimônio Cultural Imaterial, estimulando a venda de produtos relacionados a bens registrados em todo o Brasil, como curimbós, banjos, maracas e saias do carimbó, que estão disponíveis na página dos carimbozeiros.
Diante da situação de emergência em
saúde pública, decorrente da pandemia do novo coronavírus, shows, apresentações
e todo tipo de evento tiveram de ser adiados em todo o Brasil. Isto impactou o
cotidiano de festas e rituais realizados por mestres e mestras de bens
registrados como Patrimônio Cultural do Brasil. Neste cenário, essas
comunidades buscaram alternativas para lidar com o isolamento social. O Ciclo
do Marabaixo (AP), por exemplo, foi realizado por meio de lives e bailes do
Fandango Caiçara tiveram transmissão on-line. Grupos de carimbó também
realizaram rodas transmitidas pelas redes sociais.
Mestres do carimbó
Com o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o carimbó é tradição em quase todas as regiões do Pará. Essa manifestação cultural possui influência africana, indígena e ibérica, que se reflete na música, dança e instrumentos, e consolidou-se como importante forma de expressão paraense. O carimbó vai além da música e da dança, já que se associa ao lazer, à religiosidade, às manifestações artísticas, às festas públicas e familiares.
“A promoção dos instrumentos de carimbó
ajuda a fortalecer nossa cultura, dando a ela a continuidade que nós queremos.
É uma forma de ampliar, de divulgar o conhecimento dos mestres e, assim, o
carimbó e seus instrumentos não irão se perder. Ao mesmo tempo, vai ajudar
muitos mestres a ganharem uma renda, pois muitos estão em uma situação
difícil”, destacou a diretora da Associação de Grupos de Carimbó do Estado do
Pará, Solange Loureiro.

