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Crédito: Marco Santos / Ag.Para |
Na terça-feira (23), a Secretaria de
Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) foi informada que a empresa
Inloco, responsável pelos índices de isolamento social, não fornecerá mais os
dados. A decisão se deve ao desligamento de parte dos aplicativos parceiros
anteriormente utilizados pela empresa para a consolidação dos números, o que
reduz a precisão dos dados. Diante desse cenário, a Segup não poderá mais
dispor dessas informações.
O Pará foi o segundo estado brasileiro a
receber os dados e utilizá-los no enfrentamento à pandemia de Covid-19 em todo
o território paraense. Com base nos dados, foi possível saber quais cidades e
bairros mais respeitavam ou desobedeciam ao decreto estadual que instituiu as
medidas restritivas e, a partir disso, implantar ações de conscientização e
fiscalização que favorecessem o isolamento social. As informações eram usadas
também para tomadas de decisões junto com estudos técnicos que envolvem várias
instituições, como a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e a
Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).
Os dados começaram a ser utilizados e
divulgados diariamente no ano passado, até o mês de agosto. Com o retorno do
aumento dos casos da doença em 2021, os números voltaram a ser divulgados. No
entanto, foi necessária uma interrupção, explica o secretário de Estado de
Segurança Pública e Defesa Social, Ualame Machado.
"Há cerca de um ano uma startup
criou o sistema de monitoramento do isolamento social, ainda na primeira onda
da pandemia, e o Pará foi, na época, o segundo estado do Brasil a utilizar essa
ferramenta. Utilizamos diariamente até o mês de agosto de 2020, e depois
continuamos com a avaliação. Porém, retornamos a publicá-lo diariamente agora
com as medidas mais restritivas no ano de 2021, em especial agora no lockdown.
Mas, completado um ano, a empresa que tinha uma parceria com diversos
aplicativos de onde surgiam as informações sobre a localização dos usuários,
para que pudéssemos calcular o isolamento social, nos informou que esse
contrato expirou e não conseguiu autorização para continuar usando os
aplicativos. Em razão disso, nós não teremos mais atualização desses
dados", ressaltou o titular da Segup.
Confiabilidade - A parceria foi
considerada satisfatória pelo secretário, que enfatizou a importância da
integração. Segundo ele, a falta de confiabilidade dos dados foi decisiva para
o encerramento do serviço.
"Nós ressaltamos que a parceria
teve custo zero para o Estado, e o não prosseguimento independe de questão
financeira, e sim por questões de a empresa não conseguir mais garantir a
fidelidade dos dados, tendo em vista que vários aplicativos não estarão mais
disponíveis. Então, a totalidade dos usuários não terá uma realidade retratada
nesses índices e, por isso, a empresa, por seriedade e pela transparência, prefere
parar de transmitir esse isolamento social, pois os dados não seriam tão reais
como estavam sendo até agora", explicou Ualame Machado.
A partir de terça-feira (23), a Segup
conseguirá fazer o download de todos os dados desde março de 2020, mas não terá
mais como divulgar os dados diariamente.
O monitoramento era feito por meio de um
aplicativo que acompanhava o deslocamento de pessoas a partir dos sinais de
aparelhos celulares, permitindo detectar aglomerações com base na localização
de um número expressivo de dispositivos móveis no mesmo ponto por longos
períodos, enviando ao servidor a informação do local e o número identificador
dos aparelhos, sem, contudo, identificar diretamente o usuário.