INSULINA DISTRIBUÍDA PELO SISTEMA DE SAÚDE AMEAÇA A VIDA DE MILHÕES DE BRASILEIROS


Uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no dia 5 de fevereiro no Diário Oficial de União, ameaça a saúde de mais de 2 milhões de diabéticos no Brasil. O órgão concedeu a Certificação de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos ao laboratório PJSC Indar, da Ucrânia, primeiro passo para autorizar a entrada da insulina de qualidade duvidosa no Brasil. Com esta resolução, o medicamento comprado pelo Ministério da Saúde voltará a ser distribuído em postos, unidades básicas de saúde e pontos de Farmácia Popular. Há menos de 60 dias a própria Anvisa havia proibido a importação e distribuição desta insulina em todo o território brasileiro.

Na resolução número 241, de 31 de janeiro de 2018, a Anvisa não trata das justificativas que levaram a comissão de inspeção técnica a conceder o certificado ao laboratório Indar. Mas chama a atenção de especialistas que o órgão regulador tenha enviado uma equipe em caráter de urgência à Ucrânia e que, menos de 15 dias do término da viagem, a decisão já esteja publicada no diário oficial. O padrão da agência é de publicar as resoluções dentro de 60 dias a partir do fim da inspeção. “Essa pressa é, no mínimo, suspeita e levanta a dúvida de se estar atendendo a interesses”, pontua o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), dr. Fadlo Fraige Filho.

A insulina que vem da Ucrânia chega às mãos dos pacientes brasileiros graças a um acordo firmado entre governo brasileiro e o laboratório Indar. E a ANAD teme pelos pacientes do sistema público de saúde, que estão expostos a uma insulina sem estudos comprovando sua eficácia. A associação fez um extenso levantamento e reuniu provas de irregularidades num documento publicado em seu site (http://www.anad.org.br/).

 A Anvisa já havia suspendido a importação porque identificou, em uma inspeção anterior, problemas de higiene e sanitização do processo produtivo do Indar; falta ou falha no controle de quais pontos da operação devem ser certificados e validados quanto a sua qualificação de projeto, instalação e operação; falha em processos de avaliação de fornecedores para que sejam considerados qualificados; falha do controle dos responsáveis pela produção e garantia de qualidade e também da pessoa designada a inspecionar a qualidade dos lotes do produto; entre outros. Apesar de tudo isso, setores do Ministério da Saúde insistem em retomar a importação da insulina ucraniana.

 “Não há uma pesquisa científica dentro dos critérios internacionais que comprove que essa insulina ucraniana é eficaz para o controle da doença. Esses estudos seguem um protocolo padrão ao qual todos os laboratórios se submetem e são fundamentais para provar que produzem um medicamento seguro. Estamos muito preocupados com o risco de eficácia e abastecimento a que estamos expondo nossa população”, alerta o endocrinologista.