Com o objetivo de monitorar os efeitos
do Coronavírus na saúde e no mercado de trabalho, a PNAD COVID 19, adaptação da
Pesquisa Nacional de Domicílios, apresentou, em seu segundo mês de realização,
novos dados sobre o aparecimento de sintomas, a renda das famílias, o
afastamento social, entre outros indicadores. Os resultados são referentes ao
mês de junho.
Indicadores de Trabalho
Em junho, do total de pessoas ocupadas,
23,% estavam afastadas do trabalho, enquanto 76,2% continuavam em atividade;
destas, 4% (ou 95 mil) realizavam o
trabalho de forma remota, o que foi a menor taxa de trabalho remoto registrada
no Brasil. O número de pessoas ocupadas
e afastadas do trabalho diminuiu significativamente. Em maio, o número que
marcava aproximadamente 1 milhão de pessoas afastadas, caiu para 700 mil em
junho. A maioria (591 mil) disse estar afastada devido ao distânciamento
social; em maio era de 852 mil o número de pessoas afastadas pelo
distanciamento. Neste último mês, entre as afastadas, 47% continuaram recebendo
remuneração e 53% deixaram de receber.
Nota-se que entre as pessoas que não
foram afastadas dos seus trabalhos, a maioria trabalhou menos horas do que
habitualmente trabalharia. Enquanto 3% declararam, no mês de junho, ter
trabalhado mais horas do que normalmente, outras 25% declararam ter trabalhado
menos.
Durante os meses de realização da
pesquisa, o número de ocupados no estado se manteve estável: 2,9 milhões e 3
milhões, respectivamente nos meses de maio e junho. O número de pessoas
desocupadas também não apresentou variação significativa: em maio chegava a 362
mil e em junho atingiu 385 mil.
Os dados também apontaram que entre as
1,3 milhão de pessoas não ocupadas que não procuraram trabalho, mas gostariam
de trabalhar, 911 mil não procuraram por conta da pandemia ou por falta de
trabalho na localidade.
Já em relação ao rendimento das pessoas,
durante os dois meses monitorados pela pesquisa em média 38% dos entrevistados
teve redução na remuneração. Em maio mais de 1 milhão (1 milhão 122 mil)
declarou ter recebido valor inferior ao que era recebido antes da pandemia, um
mês depois o resultado se manteve constante (1 milhão 130 mil).
A taxa de informalidade no Pará continua
alta durante a pandemia, atingindo 53% em junho. Estima-se que 1,6 milhão de
pessoas estão trabalhando informalmente, no mês de maio o número era de 1,5
milhão. No Brasil, a região Norte é a que possui a maior taxa de informalidade
(49%).
O percentual de domicílios que receberam
auxílio emergencial para complementar a renda sofreu uma pequena variação: em
maio marcava 58% e em junho passou a marcar 63%, ocupando a posição de terceiro
estado mais beneficiado da região Norte. Durante os dois meses analisados, mais
da metade dos lares entrevistados recebia o auxílio. É possível notar também
que o recebimento do auxílio foi percebido principalmente por pessoas com menor
grau de instrução. Maior parte (643 mil) dos que receberam tem o nível de
instrução até o fundamental completo, com o médio completo foram 499 mil
recebedores e com o superior completo 79 mil. A região Norte foi a mais
beneficiada pelo auxílio emergencial, que favoreceu 60% da população. Na região
o ganho na renda domiciliar per capita era de R$ 707,35 e com o recebimento do
auxílio passou para R$ 874,28.
Indicadores de Saúde
No mês de junho o número de pessoas que
apresentou algum sintoma relacionado à Covid 19 diminuiu expressivamente.
Enquanto em maio o número era de aproximadamente 1,8 milhão de pessoas, em
junho foi de 777 mil pessoas. A região Norte apresentou a maior queda no número
de pessoas com sintomas: em maio equivalia a 18,3% da população e em junho
passou a equivaler a 8,9%.
No Pará a procura por estabelecimento de
saúde continuou baixa entre os que apresentaram algum sintoma: aproxidamente
74% decidiram não procurar atendimento médico. Aquelas que tiveram sintomas
conjugados (considerados mais de um sintoma ao mesmo tempo), procuraram
estabelecimentos médicos com mais frequência (40% procuraram) do que as que
apresentaram apenas um sintoma (26% procuraram).
Percebe-se, também, que a maioria dos
moradores do Pará não tinha plano de saúde médico no mês pesquisado. Apenas 14%
disseram ter plano, do outro lado, 86% não tinham.
Entre os domicílios pesquisados, 25,3%
tinham algum idoso. Em 20% dos lares com idosos, algum morador havia
apresentado sintoma gripal. Já nos lares sem idosos, o percentual de pessoas
que apresentaram algum sintoma foi de 79%.