O sonho dos escritores de ficção
científica de ver robôs trabalhando lado a lado com os homens está se tornando
realidade nas operações da Vale no Brasil. A empresa vem investindo em
diferentes modelos de robôs para auxiliar os empregados em tarefas de
manutenção, contribuindo para retirá-los de situações de risco e para o
objetivo da empresa de se tornar referência em segurança na mineração.
Atualmente a Vale trabalha com três principais modelos de robô: dois
desenvolvidos pelo Instituto Tecnológico Vale - Mineração (ITV), que se
assemelham a “carrinhos”, e um adquirido a um fornecedor internacional, o
Anymal, apelidado na empresa de “cachorrinho”.
O ITV-Mineração está produzindo mais três unidades desse robô, que serão cedidas às operações de cobre no Pará e de minério de ferro em Vitória (ES) e Itabira (MG), onde serão empregados em inspeções de moinhos de usina, dutos e outros ambientes confinados.
Também está sendo desenvolvido pelo ITV-Mineração o Robô para Serviços de Inspeção (ROSI), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pensado desde o início do projeto como uma ferramenta de inspeção em áreas operacionais da Vale, o ROSI tem como foco as correias transportadoras, um equipamento crítico para a mineração. Para isto, o ROSI transporta um braço robótico capaz de atuar com destreza no ambiente operacional, sendo capaz de reposicionar sensores e coletar amostras em lugares de difícil acesso. O robô começou a ser desenvolvido em 2017 e hoje está em fase de testes.
“Esses robôs foram criados dentro da Vale pelos próprios empregados e são uma tecnologia em constante evolução”, explica o pesquisador Gustavo Pessin, do ITV-Mineração. “O desenvolvimento é open-source, totalmente aberto do hardware ao software, e sua estrutura é modular. Tudo o que for desenvolvido pode ser usado em outros robôs e equipamentos, e adaptado para novas situações ou funcionalidades usando recursos dentro da própria Vale”.
Anymal
Além de desenvolver equipamentos dentro de casa, a Vale também está adquirindo o Anymal, um robô quadrúpede criado pela empresa Anybotics, da Suíça. Já utilizado em outras indústrias, o robô foi adaptado para as operações de mineração com o apoio de uma equipe da Vale. Este ano foi concluída uma prova de conceito na usina de Cauê, em Itabira (MG). O sucesso dos testes convenceu a Vale de que deveria adquirir uma unidade do robô.
O uso do robô minimiza a exposição humana em locais de risco, além de permitir a inspeção de ativos de forma remota e a coleta de dados para que se possa tomar decisões mais efetivas. “Com o robô eliminamos eliminar riscos pertinentes às atividades de inspeções, como partes rotativas de equipamentos, ruído e poeira”, explica Rayner Teixeira, analista operacional responsável pelo desenvolvimento do Anymal na Vale. “Também eliminamos atividades que possuem risco ergonômico, em que o empregado precisa executar uma tarefa em uma posição incômoda. O robô também nos dá acesso a espaços confinados, como o interior de um moinho”.
O robô será utilizado para fazer
inspeções na unidade de moagem e o mapa em três dimensões da mina do Cauê. Além
dos ganhos com segurança dos empregados, espera-se redução no número de paradas
e no custo de manutenção, maior confiabilidade na inspeção e a coleta de
parâmetros para controle do desempenho dos ativos em tempo real.

