O presidente do Conselho de
Administração da Nippon Foundation e embaixador da Boa Vontade da Organização
Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, chegou
ao Pará nesta terça-feira (2), para dar sequência à visita que faz ao Brasil. O
objetivo é discutir os avanços do país no enfrentamento à hanseníase. Em Belém,
foi recebido pelo secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, após visitar
a Unidade de Referência Especializada (URE) Marcello Cândia, em Marituba.
No roteiro, o embaixador passará, ainda,
por Marabá, nesta quarta-feira (3), e segue até São Luiz, capital maranhense.
Na URE Marcello Cândia, vinculada à
Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Yohei Sasakawa e sua comitiva
puderam conferir o trabalho dispensado aos pacientes com hanseníase, que
recebem atendimento em média complexidade após encaminhamento feito pelas
Unidades Básicas de Saúde.
Na agenda em Belém, o embaixador esteve
reunido com o secretário de Estado de Saúde Pública, Alberto Beltrame, que
destacou alguns desafios do Pará para aperfeiçoar a prevenção da doença em todo
o Estado. "Somos o quinto com mais casos confirmados no país e estamos
trabalhando para a diminuição das ocorrências, seja pelo treinamento dos
profissionais, passando pela humanização no atendimento em nível de referência,
até a reinserção dos pacientes ao convívio na sociedade sem qualquer estigma ou
preconceito", afirmou.
No Estado, o diagnóstico e tratamento
para a hanseníase estão disponíveis em todas nas Unidades Básicas de Saúde,
mantidas pelas secretarias municipais, vinculadas às prefeituras. O esquema
terapêutico dispensado é todo ambulatorial, ou seja, não necessita de
internação. Para casos de média complexidade, pacientes são encaminhados para a
URE Marcello Cândia, mantida pela Sespa em Marituba.
Incidência - De acordo com a Coordenação
Estadual de Controle da Hanseníase, na última década, o Pará apresentou uma
redução de 42,3% no número de casos novos, de 4.076 diagnosticados em 2009 para
2.531, em 2018. Os dados mais atualizados apontam ainda que, em 2019, já foram
confirmados 973 novos episódios.
Segundo os parâmetros do Ministério da
Saúde, o Pará ocupa o quinto lugar em incidência da doença, com 29,73 casos por
cada 100 mil habitantes notificados em 2018, ficando atrás do Maranhão, Mato
Grosso, Tocantins e Rondônia. Além disso, possui uma taxa de cura de hanseníase
de 76,9% e um percentual de abandono de tratamento de apenas 7,3%.
Esse resultado é atribuído ao trabalho
desenvolvido pela Atenção Básica no Estado, principalmente, pela equipe de
enfermagem comprometida com o controle da doença, e ao esforço da Sespa, cujo
trabalho desenvolvido pela Coordenação de Controle da Hanseníase envolveu
treinamentos para 4.549 profissionais de saúde de todos os níveis e em todos os
municípios paraenses de forma contínua, pelo menos nos últimos 15 anos.
Essas informações foram compartilhadas
com a comitiva do embaixador, cuja visita agrega também Marabá, na manhã desta
quarta-feira (3), quando participará de sessão solene na Câmara de Vereadores.

