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Crédito: Ascom/Sedap |
O leite de búfala é considerado pelos
especialistas um ótimo alimento para proteger o organismo contra doenças
cardiovasculares. Com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e
da Pesca (Sedap), a produção leiteira bubalina ganha cada vez mais destaque no
cenário estadual e no Brasil, principalmente pelos seus derivados, em especial o
queijo do Marajó, que em março deste ano ganhou o selo da Indicação Geográfica
(IG) do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
O Arquipélago do Marajó concentra todo o
leite das fazendas de criadores de búfalas nos campos da região. Os municípios
de Chaves, Soure e Cachoeira do Arari se destacam na produção leiteira da
búfala. Segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) - vinculada
à Sedap e encarregada da inspeção fitossanitária do rebanho - a produção dos
laticínios locais alcançou a média mensal de 4,170 toneladas.
Ano passado, um dos derivados do leite
de búfala, o queijo marajoara (artesanal) também recebeu o Selo Arte, que vai
permitir o aumento da produtividade e venda para outros estados. O processo
teve a participação efetiva da Sedap e da Adepará.
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Crédito: Ascom/Sedap |
Melhoramento genético dos animais -
sobretudo das fêmeas -, capacitação do produtor local e assistência técnica da
Emater - também vinculada à Sedap - estão entre as iniciativas para garantir a
qualidade da produção bubalina, como destaca o coordenador de produção animal
da Sedap,o veterinário Ronnald Tavares, ao mencionar o trabalho feito pela
Adepará.
Apesar de ter o maior rebanho bubalino
do Brasil (quase 72% da produção paraense é no Marajó), como observa o
veterinário, a produtividade na região vinha há algum tempo deixando a desejar.
"Ao longo dos últimos anos, foram
deslanchadas iniciativas pelos órgãos governamentais em parceria com o setor
privado e representantes de segmentos, que melhoraram a produtividade do
rebanho", frisou.
REBANHO
Segundo informações da Associação
Paraense de Criadores de Búfalas (APCB), somente no município de Cachoeira do
Arari, há em torno de 80 mil a 90 mil reses de búfalas. É o terceiro município
no Pará com o maior número desses animais, atrás de Chaves, que tem 160 mil, e
Soure, que apresenta pouco mais de 90 mil cabeças.
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Crédito: Ascom/Sedap |
O produto movimenta a cultura desses
municípios, que promovem tradicionais competições leiteiras, como torneios, por
exemplo. No final de julho deste ano, para estimular uma maior produção,
melhorar a qualidade e incentivar o criador, foi realizado o I Torneio Leiteiro
de Búfalas do município, uma versão local do torneio estadual realizado um mês
antes.
O programa Ateg Leite é apenas uma das
ações que fomentam aa produção de leite, sobretudo dos pequenos criadores, como
ressalta o presidente APCB, João Rocha, ao informar que a iniciativa fornece
condições técnicas aos produtores, sobretudo na região de Cachoeira do Arari.
Apesar da bubalinocultura no Pará ser
voltada tanto para a produção de carne quanto leiteira, o resultado ainda não
chega às gôndolas dos supermercados, como observa o criador marajoara.
"O gado de búfala produz menos
leite que o bovino. A produção de leite de búfala, podemos dizer, ainda está no
seu início. No caso da produção leiteira, ela só atende - e malmente - os
laticínios. Mas já começou a entrar na merenda escolar. Já é um diferencial.
Não há interesse, ainda, dessa produtividade chegar até esses estabelecimentos,
mas o queijo chega e já estamos enviando o produto para outros estados. Com a
aquisição do Selo Arte, o Marajó já começou a exportar o queijo para São Paulo
e Rio de Janeiro, além de outros mercados já estarem à procura", ressalta
o criador.
Ele observa também que o leite de búfala
apresenta no processo industrial um rendimento médio superior a 40% do leite de
vaca. "Por isso, é um investimento que vale a pena", diz Rocha.
EMPREGOS
Além de ser uma ótima fonte de vitamina
e reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, o leite de búfala gera emprego
e renda no Marajó. O presidente da APCB estima que um laticínio com produção de
mil litros de leite emprega 30 famílias, direta e indiretamente.
"É um número expressivo, haja vista
que o emprego aqui no Marajó é com os laticínios. Só na nossa região, temos em
torno de 22 laticínios e alguns não oficializados ainda. A nossa grande busca é
fomentar e tentar legalizar todo mundo", garante Rocha.
O criador é proprietário da Fazenda
Paraíso, em Cachoeira do Arari, e diz que emprega 10 pessoas. "Se a gente
não mexesse com leite, teríamos apenas três colaboradores", informa.
O vaqueiro Andrei Cardoso, 23 anos,
trabalha desde os 18 com búfalos, animal pelo qual ele diz ter muito apreço.
"Não só por gostar do trato com ele, mas porque é de onde tiro o meu
sustento. Desde meus 15 anos que comecei a me interessar em trabalhar com
búfalos. Quando completei 18 anos, consegui meu primeiro emprego aqui na
fazenda e desde então cuido desses animais com todo carinho", diz o vaqueiro,
que demonstra uma habilidade típica de quem conhece o animal na hora da
ordenha. Ele revela que graças ao trabalho consegue prover o seu sustento e
ajudar nas despesas da família.
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Cleidiane Cuimar |
COZINHA
Nascida na vila de Retiro Grande, no
município de Cachoeira do Arari, a cozinheira Cleidiane Cuimar cresceu tomando
leite de búfala. É uma tradição que passou de geração a geração. Embora goste
de leite de vaca, a dona de casa prefere o leite da produção bubalina. Ela
considera o sabor diferente: forte e ao mesmo tempo adocicado, com um aroma que
lembra a sua infância.
"Como eu trabalho com doce e
salgado, uso o leite na massa do bolo e na massa da coxinha, no recheio do
canudinho e do "canudão" e no meu consumo diário. A gente sempre está
utilizando o leite, pois meu pai tira leite da búfala, além de achar muito
saudável. Olha só isso aqui", diz a moradora do Marajó, apontando para a
panela cheia do líquido branco, aquecendo sobre o fogão. E complementa: "Desde
que eu me entendo por gente, sempre tomei leite de búfala, até porque meu pai
sempre foi um pequeno criador; é um leite puro e forte", resume a moradora
do Marajó.
Ela ensina que do leite é possível fazer
outros tipos de iguarias, como doces, o queijo, em especial o mozzarella, que é
um alimento com demanda crescente nos mercados de todo o planeta, até iogurtes.
"É muito bom. Rende bastante", garante.
Estudos de diversos centros de pesquisa
para a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o consumo do leite de
búfala e de seus derivados reduz os riscos de doenças cardiovasculares,
especialmente o infarto e a aterosclerose.
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Crédito: Ascom/Sedap - Roger Maia, gerente do Sebrae |
O gerente da agência do Serviço de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nos campos do Marajó, Roger Maia, diz que
a entidade trabalha no fomento da bubalinocultura, especialmente dos derivados
como o leite, doce de leite, da manteiga e do queijo do Marajó.
O técnico lembra das conquistas obtidas
pelo queijo local, como o Selo Arte e a Indicação Geográfica - duas
"insígnias" obtidas pelo produto marajoara graças ao esforço conjunto
entre entidades públicas e privadas, com a participação dos produtores
marajoaras.
LEGALIZAÇÃO
Maia explica que o Sebrae trabalha com a
legalização do leite e doce da búfala, assim como foi feito com o queijo do
Marajó. "Vamos entrar nesse trabalho para verticalizar o leite da búfala,
já conseguimos colocar o leite do Marajó para a merenda escolar com o processo
de pasteurização, mas não conseguimos colocar nos supermercados, ainda, como já
fizemos com o queijo. Já avançamos muito com o desenvolvimento da
bubalinocultura marajoara, mas ainda temos muito a avançar. Muitos investidores
já estão interessados em investir no Marajó", observa Maia.
*Colaboração Rose Barbosa (Sedap)