Indígenas de cinco aldeias às margens do Rio Curuarés (PA) participam de projeto de monitoramento participativo de peixes

 

Foto: Internet

Visando construir, de maneira participativa junto às comunidades, um diagnóstico de como se encontra as condições do pescado nas comunidades em torno do Rio Curuarés, no Pará, a Unyleya atua em parceria com o Instituto Kabu no projeto “Defesa do Território Mekrãgnoti no Corredor do Desmatamento no Sudoeste do Pará”. Um de seus principais objetivos é melhorar a qualidade de vida dos Kayapó-Mekrãgnotí relacionadas a cinco linhas de ação que incluem monitoramento territorial, agricultura e extrativismo e cultura. 

As atividades desenvolvidas pela Unyleya Socioambiental visam propor soluções para impactos socioambientais, promovendo melhorias no uso sustentável dos recursos ambientais, na saúde, segurança, no bem-estar da população e nas atividades sociais e econômicas. Os projetos estão concentrados na região Norte do Brasil.

 As atividades pretendem levar os indígenas a compreender melhor a dinâmica dos peixes e as alterações que o ecossistema aquático pode sofrer ao longo do tempo por meio dos monitoramentos participativos. A meta é utilizar os resultados a longo prazo como um instrumento de luta por direitos e garantia de condições ambientais adequadas do local em que vivem. 

As ações do monitoramento tiveram início em novembro deste ano em cinco aldeias que se localizam às margens do Rio Curuarés, denominado Rio Pixaxá pelos Kayapó, e que limita atualmente a Terra Indígena Menkragnotí com fazendas de gado, plantio de grãos e áreas de mineração.

Cerca de 327 indígenas de 66 famílias de cinco aldeias (Pyngraitire, Pykatotí, Môpkrôre, Kawatum e Krimej) serão beneficiados, uma vez que utilizam diariamente o Rio para suas atividades e alimentação. No total, serão 24 meses de projeto, considerando alguns fatores como ciclo hidrológico para a obtenção de amostras, capacitação dos indígenas, dentre outras atividades. 

“Pretende-se que as atividades realizadas dentro do projeto não sejam apenas cumpridas, mas que façam sentido para os povos indígenas e tragam uma melhora nas condições de vida diante das pressões de entorno da Terra Indígena. O monitoramento participativo dos peixes é considerado um aprendizado para as comunidades e ao mesmo tempo um aliado”, relata Pedro Gatti Junior, coordenador geral da Unyleya Socioambiental. 

O monitoramento participativo dos peixes ajudará os indígenas a compreender melhor a dinâmica dos peixes frente às alterações que o ecossistema aquático pode sofrer ao longo do tempo. Deste modo, são realizadas oficinas de capacitação em todas as aldeias participantes e atividades da primeira campanha de monitoramento dos peixes com acompanhamento indígena no Rio Curuaés, com realização de captura e biometria e coleta de músculos de peixes para análise de contaminação por mercúrio. 

Aa demais etapas são campanhas de monitoramento dos peixes (seca e cheia) com acompanhamento indígena no rio Curuaés; captura e biometria de peixes com os indígenas; identificação dos locais críticos de navegação e dos ambientes de pesca e locais de importância cosmológica utilizados pelos indígenas e, por fim, apresentação dos resultados do monitoramento. 

Até o momento, já foram realizadas as atividades de capacitação dos indígenas para o monitoramento participativo dos peixes e a primeira campanha de monitoramento dos peixes com realização de biometria e coleta de músculo dos peixes para análise das concentrações de mercúrio. “As comunidades indígenas mostraram-se muito interessadas e participativas na realização das atividades, realizando periodicamente as medidas dos peixes e anotações nas planilhas de dados e compreenderam a importância da realização do monitoramento. Além disso, contribuíram relatando, de acordo com o comportamento, quais peixes eram possíveis capturar esta época do ano e informando os locais apropriados para captura. Desta forma, puderam sentir-se como parte integrante e fundamental do projeto de monitoramento e estão animadas e empenhadas para a realização das demais atividades”, declara o coordenador. 

A Unyleya Socioambiental visa, por meio de seus projetos, fortalecer práticas sustentáveis, conjugando a conservação ambiental com modos de vida de populações tradicionais. 

As temáticas abordadas durante as ações darão suporte aos indígenas para tomada de decisões internas e estimular reflexões sobre as mudanças socioambientais e o futuro das comunidades indígenas. As ações não apenas visam cumprir seus objetivos como também contribuir para a reflexão sobre outras questões indígenas, como invasões na terra indígena e proteção territorial, existência de garimpos ilegais, proposição de acordos de caça e pesca e desenvolvimento de atividades produtivas voltadas à comercialização. 

Para isso, temática e conceito em ecologia e meio ambiente serão abordados de forma que os indígenas possam se familiarizar com termos técnico-científicos muito utilizados por não indígenas, reconhecendo e compreendendo conceitos e processos ecológicos cada vez mais complexos. A ação será conduzida de forma a valorizar o conhecimento tradicional indígena sobre a natureza e, a partir dele, incorporar os conceitos e definição de termos como: ecossistemas, espécies, população de espécies, interações entre organismos etc. Assim, os indígenas fazem parte tanto do processo de aprendizagem e ensino, de forma que o conhecimento construído possa fazer sentido. O reconhecimento de processos entre ambas as partes é fundamental para a construção de um conhecimento híbrido, parte de uma ciência ocidental, parte de um conhecimento tradicional.  

O Instituto Kabu que é uma organização indígena de direito privado e sem fins lucrativos pertencente ao povo indígena Kayapó (autodenominação Mebengôkre) do subgrupo Mekrãgnoti responsável pelo projeto “Defesa do Território Mekrãgnoti no Corredor do Desmatamento no Sudoeste do Pará” e são financiadas pelo Fundo Kayapó. 

Além da parceria com o Instituto Kabu desde 2016, a Unyleya atua na região Norte com a execução do programa de mitigação dos impactos previstos no Projeto Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em que desenvolveu ações com os povos Xipaya, Kuruaya, Xikrin, Arara, Kararaô, Parakanã e indígenas moradores da região de Altamira (Citadinos e Ribierinhos). Atualmente segue executando os programas do PBA-CI com as Terras Indígenas Xipaya, Kuryaya e Trincheria Bacajá.  

“A Unyleya atua desde 2016 em parceira com o Instituto Kabu, o qual já recebeu intercâmbios de indígenas do médio Xingu e enviou indígenas palestrantes para participação de seminários em Altamira. O Instituto Kabu tem sido uma referência em organização institucional indígena para outros povos”, finaliza Pedro.

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Jornalista Celso Freire
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